Líder do governo no Senado diz que venda de sentenças abala a crença nas instituições e defende debate sobre controle externo
O senador Jaques Wagner (PT) classificou a corrupção dentro do Poder Judiciário como a mais grave entre todas as esferas públicas. A declaração foi dada nesta sexta-feira (6), durante entrevista ao programa Giro Baiana, do BNews, ao comentar os desdobramentos da Operação Faroeste e a condenação da ex-desembargadora do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) Sandra Inês a 14 anos de prisão em regime fechado por venda de sentenças.
Para o parlamentar baiano, o desvio de conduta por parte de magistrados compromete diretamente a confiança do cidadão nas instituições democráticas, por retirar direitos legítimos mediante pagamento ilegal.
Toda corrupção é condenável, não há corrupção que é admissível. Mas na minha opinião, dentro do que você mesmo falou, a corrupção no Poder Judiciário, para mim, é a mais danosa de todas. Por quê? Porque você tira o direito de alguém para ganhar dinheiro. O direito da pessoa para o magistrado ou o advogado dele, sei lá quem, ganhar dinheiro, encher as burras de dinheiro usurpando do direito de alguém, afirmou.
Wagner acrescentou que episódios dessa natureza reforçam a necessidade de discutir mecanismos de controle e reforma do sistema judicial no país.
Por que que eu digo que isso é complicado? Porque isso bole na crença no Judiciário. Uma pessoa que acredita e de repente vê um direito seu ser levado no vento porque um magistrado quis ganhar um trocado, um bom dinheiro com aquilo, é um absurdo. E a gente tá vendo isso em todas as escalas. Então essa coisa da reforma do Judiciário, do controle, e para mim eu acho que é a mais gravosa das corrupções, repito, porque é você tirar o direito de alguém para se beneficiar. Então, fica aqui minha nota zero também para esse episódio, concluiu.