Senador afirma que candidato da oposição desrespeitou eleitores que votaram nele e em Lula no primeiro turno
O senador Jaques Wagner (PT) avaliou nesta sexta-feira (6) que a decisão do ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União Brasil) de apoiar o senador Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno da eleição presidencial de 2026 aumentou o desgaste político do líder oposicionista na Bahia.
Em entrevista ao programa Giro Baiana, do BNews, o petista afirmou que a postura contrariou uma parcela expressiva do eleitorado baiano que havia combinado o voto em Lula para presidente e em Neto para o governo estadual no primeiro turno.
No segundo turno na Bahia, Lula (PT) obteve 6.485.258 votos (71,31%), enquanto Flávio Bolsonaro (PL) registrou 2.608.761 votos (28,69%). Em Salvador, o petista alcançou 73,24% dos votos válidos (1.154.072 votos), o maior percentual entre todas as capitais brasileiras.
Qual seria, na minha opinião, a postura mais decente? “Olha, eu perdi a eleição, reconheço que perdi a eleição, meu candidato a presidente não foi para o segundo turno, eu vou liberar o meu povo”. Até porque muita gente que votou em mim votou no Lula. Então eu não vou cuspir no prato que eu comi, disse Wagner, lembrando que no primeiro turno ACM Neto declarou voto em Ronaldo Caiado (PSD) para evitar repetir a neutralidade adotada em 2022.
Questionado sobre o impacto do palanque conjunto de Neto com Flávio Bolsonaro na capital baiana, o senador afirmou que o movimento representou um desrespeito direto ao eleitor local.
Na minha opinião, repare, eu fico pensando assim: o eleitor, principalmente em Salvador, mas não foi só em Salvador, que votou em Lula porque achava o melhor e em Neto, aí ele chega, despreza esse pessoal e vai apoiar… Então ele, na verdade, bateu na cara de uma porção de gente que votou nele. Então, na minha opinião, eu acho que essa escolha dele acabou de realmente aumentar o desgaste, declarou.