Senador também critica apoio de ACM Neto a Flávio Bolsonaro e afirma que posicionamento do ex-prefeito pode beneficiar Lula no segundo turno
O senador Jaques Wagner (PT-BA) afirmou que a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) trabalha em duas frentes na Bahia para o segundo turno das eleições presidenciais: reduzir a abstenção e ampliar a votação do petista. Em entrevista ao programa Boa Tarde, Bahia, da Band Bahia, nesta segunda-feira (19), Wagner destacou a articulação com lideranças municipais e a ampliação do transporte gratuito de eleitores como estratégias para aumentar o comparecimento às urnas.
Segundo o senador, a expectativa é de que a abstenção diminua em relação ao primeiro turno, quando os eleitores precisaram votar em diferentes cargos. No segundo turno, a votação será restrita à disputa presidencial, o que, na avaliação dele, deve tornar o processo mais rápido.
Wagner também citou relatos de eleitores que desistiram de votar devido às longas filas no primeiro turno.
“Eu sei de muita gente que, esperando uma hora e meia, mais de uma hora e meia, acabou indo embora”, afirmou.
O senador disse que o grupo político trabalha com prefeitos, ex-prefeitos, vice-prefeitos e vereadores para organizar o deslocamento de eleitores. A estratégia inclui incentivar a chamada carona solidária e ampliar a oferta de transporte gratuito, conforme as regras eleitorais.
“Estamos trabalhando intensamente com prefeitos, ex-prefeitos, vice-prefeitos, vereadores, no sentido de carona solidária, de levar gente para votar e de credenciar o maior número de transporte possível para que a abstenção caia”, declarou.
Wagner diz que apoio de ACM Neto a Flávio pode favorecer Lula
A segunda frente mencionada pelo senador é a disputa política após o apoio declarado do ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União Brasil) à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Para Wagner, o posicionamento de Neto pode beneficiar Lula por tornar mais explícito o alinhamento político do ex-prefeito com o candidato da oposição. O senador acusou o adversário de ter evitado se posicionar claramente durante o primeiro turno e afirmou que isso pode gerar insatisfação entre eleitores que apoiaram sua candidatura ao governo da Bahia.
“Eu acho que, apesar de você dizer corretamente que ele tem um palanque mais explícito, na minha opinião, o posicionamento do candidato derrotado, ACM Neto, acaba ajudando a gente”, afirmou.
Wagner também criticou a postura adotada por Neto durante a campanha e disse que o apoio a Flávio pode levar parte do eleitorado a questionar as escolhas políticas do ex-prefeito.
“Eu não sei como vai ser a reação de muita gente que votou nele e que se sentiu enganada”, declarou.
Senador critica título concedido a Flávio Bolsonaro
Durante a entrevista, Wagner também questionou a concessão do título de cidadão soteropolitano a Flávio Bolsonaro. O senador criticou o que classificou como falta de vínculo do parlamentar com a capital baiana e mencionou a referência feita pelo candidato à Avenida Atlântica, em uma declaração sobre Salvador.
“Eu não consigo entender por que alguém dá um título para ele se ele não prestou nenhum serviço para cá”, afirmou.
A concessão do título e as manifestações de Flávio passaram a integrar o embate político entre aliados de Lula e apoiadores do candidato do PL na Bahia.
Wagner prevê disputa apertada e aposta em crescimento de Lula
Apesar de demonstrar confiança na estratégia petista, Wagner reconheceu que a disputa presidencial será acirrada e deverá ser definida por uma margem estreita.
“Não é uma eleição fácil, a eleição vai ser disputada na linha de chegada, é um ponto e meio, dois pontos de frente”, disse, ao apresentar sua avaliação sobre o cenário eleitoral.
O senador afirmou que tem percebido maior mobilização de apoiadores de Lula nas ruas e citou eventos realizados em Salvador, Brasília e São Paulo como sinais de engajamento da militância.
Na avaliação de Wagner, parte dos eleitores que não compareceram às urnas no primeiro turno pode se mobilizar agora diante da percepção de uma disputa mais apertada.
“Muita gente não foi votar porque achava que Lula estava certo que ia ganhar”, afirmou.
Wagner concluiu que a campanha trabalha para ampliar a participação dos eleitores e consolidar o crescimento de Lula na Bahia. As projeções sobre abstenção e intenção de voto, contudo, representam a avaliação do senador e dependem do comportamento do eleitorado no dia da votação.