Rui Costa diz que ACM Neto e João Roma escondem alianças nacionais e critica mistura de candidaturas nas ruas da Bahia
Uma “salada de fruta” eleitoral. Foi assim que Rui Costa (PT) descreveu a possibilidade de o eleitor combinar votos em candidatos de diferentes grupos políticos. Em entrevista nesta quinta-feira (17), o candidato ao Senado afirmou que a escolha é soberana, mas acusou adversários de promoverem uma estratégia para “enganar” o eleitor ao misturar materiais de campanha e esconder apoios políticos no cenário nacional.
“O eleitor é soberano para decidir. O eleitor pode fazer a salada de fruta que ele quiser. Não é recomendável, não é o que a gente ajuda ao país a andar para frente.”
Rui usou uma metáfora para defender o chamado “voto casado” entre candidatos alinhados politicamente. Segundo ele, uma campanha dividida entre projetos diferentes poderia deixar o governo sem apoio no Legislativo.
“Eu publiquei na minha rede social e botei na televisão uma imagem de uma canoa, uma pessoa remando para frente e uma pessoa remando para trás. Se você botar alguém remando para frente, outro remando para trás, o barco vai ficar parado.”
“Nós não queremos que a Bahia fique parada, nós não queremos que o Brasil fique parado. Nós queremos que o Brasil acelere, que a Bahia acelere. É por isso que a gente pede para as pessoas votarem no time completo.”
O petista, porém, disse que sua crítica não é direcionada à liberdade de escolha do eleitor, mas à estratégia adotada pelas campanhas. Segundo Rui, candidatos que fazem oposição ao presidente Lula estariam utilizando material com o nome do petista para conquistar votos.
“O problema não é do eleitor. O problema é da orientação da campanha. Primeiro, eles escondem na televisão quem eles apoiam. Segundo, eles induzem a campanha na ponta.”
Rui afirmou que candidatos e apoiadores estariam, segundo sua acusação, distribuindo materiais que associam suas candidaturas às de Lula, apesar de defenderem posições contrárias ao presidente.
“Eles detestam Lula, eles trabalham contra Lula, vão contra Lula, mas, para ter os votos do eleitor, entregam material junto com Lula para enganar o eleitor.”
Na sequência, o candidato citou diretamente as disputas pelo Senado e pelo governo da Bahia e afirmou que os eleitores precisam conhecer os alinhamentos nacionais dos candidatos.
“O povo tem o direito de saber que os dois senadores já declararam que são Flávio Bolsonaro.”
Rui também questionou a forma como o candidato ao governo ACM Neto (União Brasil) estaria apresentando sua posição na eleição presidencial.
“O candidato a governador diz que é o candidato de Goiás, mas, na verdade, ele não faz campanha e ninguém dele faz campanha para o candidato de Goiás.”
Segundo Rui, a estratégia teria maior impacto porque parte do eleitorado ainda não teria acompanhado a propaganda eleitoral na televisão.
“Eu estava vendo uma pesquisa ontem, interna, que a gente fez: 60% das pessoas não viram nenhuma peça de televisão até hoje de campanha. Não assistiram.”
O petista afirmou que, diante desse cenário, o material recebido nas ruas e as orientações de lideranças locais podem influenciar a percepção do eleitor sobre as alianças.
“As pessoas, na verdade, vão sendo induzidas com o papel que recebem na rua, com o que o deputado fala.”
“Se as pessoas entregam o material de Lula como candidato a governador e senador junto, ele tende a achar que aquele candidato, governador ou senador, está junto de Lula, quando não está.”
Rui ampliou a crítica para os candidatos à Câmara dos Deputados e ao Senado e afirmou que o eleitor precisa considerar como esses parlamentares poderão atuar após a eleição.
“O cara que vai ser eleito deputado federal contra Lula está distribuindo material junto com Lula. Quando chegar lá na Câmara dos Deputados, ele vai votar tudo contra Lula, para tentar derrubar Lula.”
Sobre o Senado, Rui fez referência à experiência do governo Dilma Rousseff para sustentar seu argumento.
“Quem vai ser eleito senador junto com Jair Bolsonaro, se Lula for eleito, vai tentar derrubar Lula, como derrubaram Dilma.”
Ao final, o candidato resumiu sua crítica como uma acusação de falta de transparência na campanha eleitoral.
“Você vai se comportar de uma forma na Câmara dos Deputados, no Senado, mas, na eleição, você engana o eleitor. É disso que eu estou falando.”