O candidato ao Senado Rui Costa (PT) voltou a criticar o funcionamento do Supremo Tribunal Federal (STF) e afirmou que considera “decepcionante” ver instituições brasileiras envolvidas em situações que classificou como “constrangedoras” e de possível favorecimento a empresários. A declaração foi dada nesta quinta-feira (17), durante entrevista.
Rui afirmou que já critica há algum tempo o modelo de atuação do STF e comparou o funcionamento da Corte brasileira com o de outros países. Segundo ele, não há, em sua avaliação, estrutura semelhante nos Estados Unidos, Canadá, países europeus ou no Japão.
“É decepcionante, eu acho que para qualquer brasileiro ver não só o STF, mas ver as instituições brasileiras envolvidas dessa forma em episódios ilegais ou constrangedores de relação de favorecimento com empresários. É muito ruim isso”, afirmou.
Na sequência, o ex-governador da Bahia defendeu mudanças no funcionamento das instituições e utilizou uma comparação com o desenvolvimento tecnológico da China.
“Eu já sou crítico da atual situação do STF há algum tempo. Eu tenho dito: às vezes, quando você tenta inventar a roda, você vai pelo pior caminho que tem.”
Rui afirmou que a China teria avançado ao partir de modelos já existentes antes de aperfeiçoá-los.
“A China é uma nação que eu admiro muito porque, ao invés de inventar a roda, eles saíram copiando a roda e só depois passaram a melhorar e aperfeiçoar a roda. E, com isso, hoje eles estão na ponta da tecnologia, na ponta da economia no mundo.”
Ao comparar o modelo brasileiro com outras cortes, Rui reforçou a crítica à exposição e às relações envolvendo integrantes do Judiciário e empresários.
“Aqui, infelizmente, no Brasil, nos Estados Unidos não é assim. O ministro da Suprema Corte no Canadá não é assim. Em nenhum país da Europa, no Japão não é assim. Eu não conheço exemplo no mundo parecido com isso.”
Para o candidato, esse modelo acabaria ampliando a exposição pessoal dos integrantes da Corte.
“Com isso, você exalta de forma excessiva a vaidade das pessoas”, declarou.
Rui ainda afirmou que as relações envolvendo pessoas ligadas aos julgamentos precisam ser analisadas, sem apresentar, na fala transcrita, uma conclusão sobre eventual ilegalidade.
“As pessoas que estão envolvidas com julgamento, a autorizar outras relações… pelo visto, as relações foram muito grandes”, afirmou.