Pesquisa indica recuo na rejeição em segmentos historicamente conservadores e aponta cenário de empate triplo de 33% na avaliação geral da gestão petista.
Uma nova rodada da pesquisa Genial/Quaest, divulgada nesta quarta-feira (10) pelo instituto, indicou uma recuperação localizada na popularidade do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Os dados colhidos apontam que a desaprovação ao trabalho pessoal do mandatário recuou para 48%, estabelecendo o menor índice de rejeição registrado desde maio do ano passado. Em contrapartida, a aprovação da atuação presidencial manteve a linha de oscilação crescente observada desde o início do ano, atingindo o patamar de 47% em junho, o que configura um cenário de empate técnico no limite da margem de erro.
A principal movimentação estatística do relatório ocorreu no eleitorado de matriz religiosa evangélica, segmento em que a oposição costuma consolidar maior vantagem eleitoral. Conforme os dados apresentados, a desaprovação à gestão de Lula encolheu cinco pontos percentuais nesse extrato, caindo de 65% para 60%, enquanto o índice de aprovação subiu na mesma proporção, avançando de 30% para 35%. Entre a população mais jovem, compreendida na faixa etária de 16 a 34 anos, a rejeição também declinou de 55% para 50%, acompanhada por uma oscilação positiva na aprovação, que passou de 41% para 43%.
De acordo com o diretor do instituto Quaest, Felipe Nunes, o desempenho do governo apresentou melhoras acentuadas entre os eleitores que se posicionam como independentes em relação à polarização partidária. Nesse grupo específico, o contingente que declarava desaprovar o governo despencou de 52% em maio para os atuais 47% em junho, ao passo que a taxa de aprovação saltou de 32% para 41%. No critério de avaliação geral da administração, a pesquisa registrou um inédito empate triplo exato: 33% de ótimo/bom, 33% de regular e 33% de ruim/pessimo.
A investigação de campo apontou que as medidas econômicas recentes foram os principais vetores para a moderação da rejeição. A percepção pública favorável foi impulsionada pela expectativa de alívio financeiro com o programa Desenrola e pela ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5 mil, além de uma leitura social de noticiário mais positivo para o Palácio do Planalto. No recorte socioeconômico, a aprovação expandiu de 54% para 59% entre as famílias com renda de até dois salários mínimos, embora tenha registrado retração de 39% para 35% na faixa que recebe acima de cinco salários mínimos.
O levantamento estatístico da Quaest realizou 2.004 entrevistas presenciais e domiciliares com eleitores de todas as regiões do país, de 16 anos ou mais, entre os dias 5 e 8 de junho. A pesquisa está formalmente registrada junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-07661/2026, operando com um nível de confiança de 95% e uma margem de erro estimada em dois pontos percentuais, para mais ou para menos.
