Em discurso inflamado ao lado do governador Jerônimo Rodrigues, o senador petista conclamou a participação da sociedade civil e ressaltou a origem popular das lideranças do grupo político governista.
O cenário de engajamento institucional e os rumos da representatividade pública foram os eixos centrais do posicionamento adotado pelo senador Jaques Wagner (PT-BA). Durante agenda de mobilização partidária no interior do estado, o parlamentar baiano subiu ao tom para rechaçar o uso de estruturas partidárias e mandatos eletivos como plataformas de enriquecimento privado, defendendo uma reocupação dos espaços decisórios por cidadãos integrados aos movimentos sociais e de base.
O congressista enfatizou a necessidade de oxigenação dos quadros partidários em contraposição ao afastamento da sociedade civil das discussões de interesse público. “Se vocês acham a política está ruim, venha para dentro dela. Não adianta dar as costas para a política. E as vezes quem não presta se mete e você vai sofrer as consequências. Então, é melhor vir para dentro da política para melhorar a qualidade da política. Nós vamos ter que trabalhar mais do que a gente já trabalhou, porque a política piorou muito”, apontou o senador baiano.
Em sua argumentação, o ex-governador traçou uma linha divisória rígida entre o livre mercado e a condução da máquina estatal, sugerindo que o espírito empreendedor deve se restringir à iniciativa privada. “A política não é negócio. Se você quer fazer negócio, abra sua empresa. Abra seu negócio na agricultura, no comércio, onde for. A política é para servir e não para se servir. A política é um sacerdócio de entrega, de querer bem, de querer ver um filho prosperar e se orgulhar, de quem vê um filho de vaqueiro virar governador do Estado da Bahia. Isso não é pouca coisa não”, acrescentou, em alusão direta à trajetória de Jerônimo Rodrigues.
O parlamentar concluiu a exposição utilizando o próprio arranjo partidário como exemplo de ascensão desvinculada de oligarquias tradicionais ou heranças dinásticas na Bahia. “Esse grupo aqui não tem nenhum herdeiro. Eu não sou herdeiro de nenhuma família política na Bahia. Rui não é, Jerônimo não é, e Otto Alencar também não é. Se construiu com seu próprio trabalho, como cada um de vocês”, finalizou Wagner, ladeado por lideranças da coalizão governista regional.
