Presidente da Associação Comercial da Bahia defende protagonismo do segmento que opera sob o Simples Nacional e cobra maior escuta institucional do setor público.
A interlocução entre as esferas formuladoras de políticas públicas e os pilares da atividade econômica privada regional foi o cerne do posicionamento estabelecido por Isabela S. Adry, presidente da Associação Comercial da Bahia (ACB). Em manifestação direcionada aos quadros produtivos associados, a dirigente empresarial enfatizou que o verdadeiro motor de sustentação macroeconômica e geração de postos de trabalho no país reside no ambiente dos micro e pequenos negócios, cobrando uma revisão imediata nos mecanismos de debate acerca das reformas estruturais em andamento.
A representante da instituição centenária apontou distorções no fluxo comunicativo governamental, sugerindo que as discussões tributárias e regulatórias tendem a priorizar as demandas de grandes conglomerados em detrimento do ecossistema de menor porte.
“É importante que a população entenda que o tecido econômico do Brasil está no micro e no pequeno empresário. Ao falar de reformas, normalmente se confunde como se isso fosse um assunto das grandes empresas, das grandes corporações. Não é. Quando eu falo golpeado, é porque esta classe, este segmento empresarial, sobretudo sob o Simples Nacional, não tem sido ouvida. Tem cada vez sido mais sobrecarregada com reformas e com excesso de burocracia”, asseverou Adry.
A crítica estendeu-se ao impacto prático das novas legislações trabalhistas e operacionais propostas, cuja formulação, segundo a entidade, carece de escuta ativa na ponta produtiva.
“Estamos diante de uma jornada em que sequer essa classe é ouvida, não por vontade de não aplicar as regras, mas porque simplesmente ela é desconsiderada. Isso nos entristece porque todo país que optou por não motivar a sua classe empresarial, a gente sabe exatamente onde ele vai parar. O Brasil precisa olhar com mais atenção para quem sustenta a economia real: o micro e o pequeno empresário. É esse segmento que gera empregos, movimenta bairros e sente o peso das mudanças discutidas sem a devida escuta”, ponderou.
Adry concluiu reafirmando o posicionamento institucional da ACB no cenário de representação de classes na Bahia, reforçando o compromisso de manter a independência política em prol do desenvolvimento sustentável e próspero. “Ao me transformar numa líder empresarial e ser eleita na Associação Comercial da Bahia, a gente toma um partido, a gente toma um lado. A ACB seguirá firme na defesa de quem produz e faz a economia girar no nosso País. Estar ao lado de quem emprega é lutar por um Brasil que cresça. Por mais impopular que pareça em um primeiro momento, vamos continuar aqui firmes, pois defender quem produz é o que será bom para todo mundo”, finalizou.
