Em Salvador, ministro defende o programa Move Brasil, anuncia postos de apoio para motoristas de aplicativo na capital e revela cobrança do governo federal sobre bancos públicos
O ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, subiu o tom contra o sistema financeiro nacional nesta quarta-feira (15), durante sua participação no Programa de Governo Participativo (PGP) e no lançamento do Comitê Popular de Luta, no bairro de Cajazeiras, em Salvador. Questionado sobre os gargalos e as queixas de baixa concessão de financiamentos no programa Move Brasil, Boulos responsabilizou diretamente as instituições bancárias pelo travamento do crédito voltado a motoristas e entregadores por aplicativo.
“O que é que aconteceu com o Move? Nós lançamos o programa com as condições de crédito muito melhores do que as do mercado: metade do juro do mercado, 72 vezes para pagar, carência de seis meses. Só que quem dá o empréstimo não é o governo do Lula, quem dá o empréstimo são os bancos. E, lamentavelmente, a gente tem uma ganância nos bancos desse país, que eles não querem emprestar para trabalhador”, declarou o ministro. De acordo com ele, o setor financeiro privado enxerga a categoria como um “risco de inadimplência”, criando barreiras artificiais para o acesso aos recursos do fundo garantidor do governo federal.
Para destravar a pauta, Boulos revelou ter coordenado reuniões estratégicas ao longo da semana com a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) e com as presidências do Banco do Brasil, da Caixa Econômica Federal e do BNDES. O ministro ressaltou que a ordem do presidente Lula é expressiva: se o governo oferece o aval financeiro, os bancos estatais têm a obrigação de liberar os contratos. Segundo ele, a pressão já surtiu efeito, elevando a taxa de aprovação do Banco do Brasil de 20% para 40% e fazendo o programa atingir o marco de R$ 1 bilhão em veículos financiados nesta semana.
Além do debate macroeconômico, o ministro anunciou ações práticas para a infraestrutura urbana de Salvador, desenvolvidas em parceria direta com o governador Jerônimo Rodrigues (PT). “Nós vamos inaugurar duas Paradas Certas aqui em Salvador como pontos de apoio para os motoristas de Uber e para os motoboys”, adiantou Boulos. Ele frisou que, historicamente, a categoria “sempre esteve jogada à própria sorte”, sendo lembrada pelo poder público apenas em momentos de taxação e burocracia, cenário que o atual governo federal tenta reverter com políticas ativas de fomento e acolhimento social.