Em Salvador, principal liderança nacional do partido surpreende militância ao revelar que não sabia da candidatura própria de Kleber Rosa ao governo do estado
A plenária do Programa de Governo Participativo (PGP) e o lançamento do Comitê Popular de Luta no bairro de Cajazeiras, nesta quarta-feira (15), foram palco de um verdadeiro terremoto político nos bastidores da esquerda baiana. O ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, principal referência eleitoral e histórica do PSOL no país, causou constrangimento ao confessar desconhecer a candidatura própria de seu partido ao governo da Bahia, encabeçada pelo professor Kleber Rosa (PSOL).
Questionado por jornalistas sobre a postulação de seu colega de legenda no estado e os rumos da federação PSOL-Rede na Bahia, Boulos foi categórico ao defender o alinhamento integral com a base governista do PT. “Veja, eu… eu soube hoje, quando vi uma declaração, que o PSOL tinha candidatura aqui ao governo. Achei que estava apoiando Jerônimo [Rodrigues]. Para mim, é a política correta a ser feita aqui na Bahia”, disparou o ministro.
A declaração expõe publicamente a divergência estratégica entre a direção nacional do PSOL e o diretório baiano, que optou por manter uma candidatura de oposição à esquerda ao Palácio de Ondina, enquanto a cúpula federal caminha em total sintonia com o PT. Para além do cenário local, Boulos aproveitou a ocasião para rechaçar especulações imediatistas sobre a sucessão presidencial de Lula, classificando o atual mandatário como “a maior liderança da história política desse país” e o candidato indiscutível de todo o espectro progressista.
Projetando o debate eleitoral, o ministro argumentou que a campanha nacional será um momento oportuno para contrastar modelos de país e trajetórias de vida, apontando Flávio Bolsonaro (PL) como o provável antagonista do projeto governista. “Na campanha nós vamos comparar, né? Qual é a trajetória, a biografia do presidente Lula e qual é a ficha corrida do Flávio Bolsonaro? Quais são as realizações para o Brasil, para o Nordeste, para a Bahia, do nosso governo, e a maneira como o governo anterior e a família Bolsonaro trata o Nordeste e a Bahia? Eu acho que o… o povo analisando isso vai saber votar certo”, concluiu.