Salvador, 06/11/2026 14:19

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Na Flica, Daniel Munduruku defende literatura indígena para combater preconceitos e a lógica do consumo

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​Em entrevista ao Política ao Ponto no espaço Fliquinha, escritor destacou a leitura como direito da infância e instrumento de conexão com a natureza

​A literatura e a arte exercem um papel insubstituível na formação humana e na construção de caminhos para a superação da violência social. A reflexão foi apresentada pelo escritor, professor e ativista indígena Daniel Munduruku em entrevista exclusiva concedida à equipe do Política ao Ponto nesta sexta-feira, 6 de novembro, durante a realização da Festa Literária Internacional de Cachoeira (Flica), no Recôncavo Baiano. Presente na programação da Fliquinha, voltada ao público infantil, o autor ressaltou que a imaginação é indispensável para que as novas gerações aprendam a interpretar a realidade e a resistir a injustiças históricas.

​Para Munduruku, a experiência literária não se limita ao entretenimento, funcionando como antídoto contra a desumanização e as imposições tecnológicas que ditam falsas necessidades: A leitura, ela é fundamental pra gente se construir, né? Não tem possibilidade da gente viver no mundo sem fantasia, sem romances, sem histórias tristes, histórias felizes. Porque a realidade que a gente vive, ela é feita disso. Então a literatura, ou a arte em geral, ela permite que a gente compreenda um pouco esse mundo e dê respostas criativas pra este mundo. Isso vale inclusive no enfrentamento à violência e o mecanismo de injustiças, enfrentamento às guerras, enfrentamento à tecnologia.

​O autor enfatizou que o acesso aos livros precisa ser assegurado como um direito inegociável da infância, chamando atenção especial para o avanço da produção literária indígena no país. Segundo ele, as narrativas originárias oferecem um modelo de pensamento alternativo ao ritmo predatório da sociedade contemporânea: Isso é um ponto importante, é pensar como o direito à leitura que as crianças têm. E, claro, e também o direito a uma literatura escrita por todas as autorias indígenas, que trazem nas suas abordagens também formas diferentes de olhar para o mundo, que não é apenas uma abordagem consumista, uma abordagem individualista, né, egoísta, mas é também uma visão sistêmica, de coletividade, de pertencimento.

​Ao concluir sua análise, Daniel Munduruku pontuou que o resgate da sensibilidade ambiental e coletiva presente nas obras dos povos originários é determinante para amenizar conflitos e frear agressões sistemáticas: A literatura escrita por indígenas traz uma lógica que é ditada pela natureza. E essa natureza, da qual nós fazemos parte, ela nos cobra sempre respeito e nos cobra atitudes mais positivas e propositivas, para que a vida da gente fique mais suave, né? E a gente possa ter, de fato, menos preconceito, menos estigmas, menos violência contra as populações indígenas.

Jornalista, escritor e estrategista de comunicação. Profissional de visão analítica e atuação multidisciplinar, forjou-se na redação do Grupo A Tarde (jornalismo popular e cidade) e na comunicação institucional da AGERBA. Alia o faro investigativo ao rigor técnico, com experiência em coleta e análise de dados primários e econômicos para órgãos públicos. Em sua trajetória, comandou a assessoria de imprensa e a gestão de redes sociais em campanhas políticas para bases superiores a 300 mil seguidores. É especialista em redação SEO e copywriting, produzindo textos e conteúdos corporativos para gigantes do mercado (como Bradesco e Odebrecht), além de atuar como estrategista na elaboração de centenas de projetos institucionais e ESG de alto impacto para captação de recursos. No mercado editorial, codirige um empreendimento ligado a uma fraternidade esotérica e já assinou a edição final e a revisão de dois livros publicados.

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