Cientista político revelou choque de João Carlos Martins com ofensa de Flávio sobre “nove dedos” e avaliou que insulto atingiu milhões de trabalhadores mutilados.
A investida pessoal formulada pelo senador Flávio Bolsonaro contra o presidente Lula no último embate televisivo, ironizando a perda de um dedo do adversário em um acidente metalúrgico, foi classificada pelo sociólogo Antonio Lavareda como um dos episódios mais graves das campanhas democráticas recentes. Em participação no Jornal da Metrópole desta sexta-feira (30), o especialista ressaltou que a fala ultrapassou a arena política e atingiu a sensibilidade de trabalhadores que sofreram sequelas laborais.
Durante o diálogo com Mário Kertész, Lavareda relatou uma conversa mantida recentemente com o maestro e pianista João Carlos Martins sobre o episódio. Segundo o cientista político, o músico expressou profundo choque ao assistir à provocação, que reavivou a memória do pai, um jovem português que perdeu um dedo em uma prensa gráfica em Braga e viu inviabilizado o sonho de estudar piano. “Você imagina quantas pessoas têm experiências parecidas? Quando não é o dedo, é uma perna, um braço, os olhos por conta de produto químico no ambiente de trabalho. Há milhares, milhões de pessoas que provavelmente se sentiram agravadas, se sentiram insultadas por aquela grosseria, pra dizer o mínimo, do senador Flávio Bolsonaro”, asseverou.
Lavareda ponderou que as eleições de 2026 quebraram premissas e confirmaram a máxima de que nenhuma eleição replica parâmetros anteriores de forma rígida. “Independentemente de posição político-ideológica, aquilo constituiu um péssimo exemplo do exercício da política, do debate, de um projeto em busca da Presidência da República. Isso decerto foi um dos momentos mais lastimáveis das nossas eleições presidenciais”, arrematou.