Cientista político afirmou que postura agressiva e deboche em confronto televisivo repetiram padrão das eleições paulistanas e aceleraram rejeição do senador.
O formato combativo e provocador adotado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL) durante o debate da Band no segundo turno das eleições presidenciais de 2026 resultou em desgaste eleitoral direto para sua candidatura. A avaliação foi apresentada pelo cientista político Antonio Lavareda na manhã desta sexta-feira (30), em entrevista a Mário Kertész na Rádio Metrópole, em Salvador.
Lavareda pontuou que os encontros televisivos servem não apenas para a comparação de diretrizes programáticas, mas também para que o cidadão extraia conclusões sobre a postura dos concorrentes ao Planalto. “O senador Flávio Bolsonaro adotou como coaching naquele debate Pablo Marçal. E terminou reproduzindo na rede nacional características que Pablo Marçal havia exposto nos debates quando era candidato a prefeito de São Paulo: postura reprovável, postura de deboche, de pouco respeito, transformando o debate numa atividade circense”, criticou.
De acordo com levantamentos realizados pelo Ipespe no período imediatamente posterior ao confronto, a estratégia repercutiu negativamente no eleitorado indeciso. “Na pesquisa que nós fizemos na segunda semana, independente de Flávio vir dois pontos à frente de Lula nas intenções de voto, Lula se saiu melhor pra dois pontos a mais do eleitorado. Ou seja, de fato Lula ganhou aquele debate, ou melhor dizendo: Flávio perdeu aquele debate. Já constituiu um degrau importante na escalada da sua rejeição”, concluiu.