Petista diz que proposta já existe no SUS e acusa adversário de “enganar o eleitor”
O candidato ao Senado Rui Costa (PT) elevou o tom contra a proposta de saúde apresentada pelo candidato ao governo da Bahia, ACM Neto (União Brasil), e classificou o modelo como uma “falácia” e uma “mentira para o eleitor”. Em entrevista, Rui afirmou que a contratação de serviços privados pelo poder público já é prevista no Sistema Único de Saúde (SUS) e questionou a aplicação da proposta na gestão de Salvador.
“Essa proposta dele é uma falácia, é uma mentira, é uma demagogia e uma mentira para o eleitor. Ele está lhe enrolando porque não tem, em nenhum lugar do estado, hospital particular para vender serviço ao Estado.”
Segundo Rui, a contratação de serviços privados pelo SUS não seria uma novidade. O petista citou procedimentos realizados por unidades particulares contratadas pelo poder público em diferentes municípios baianos.
“Isso já existe desde a criação do SUS. O Estado já compra serviço onde existe o serviço. Nós compramos serviço em Salvador, nós compramos serviço em Vitória da Conquista, tem hemodinâmica lá, que é procedimento do coração, a gente compra serviço em Juazeiro.”
Rui afirmou que o modelo depende da existência de serviços privados dispostos a atender pelo SUS e citou como exemplo uma tentativa de contratação em Salvador.
“Aonde tem serviço privado, a gente compra. Eu tentei comprar serviço aqui da Rede D’Or. Eles não aceitam nem vender para o SUS e nem vender para o que paga quase três vezes a tabela do SUS.”
Na avaliação do petista, o nome dado à proposta teria sido criado para facilitar sua comunicação durante a campanha.
“Ele arrumou um nome popular, que é o PIX, para tentar enganar o eleitor.”
Rui também direcionou a crítica à gestão de Salvador e questionou por que o modelo não teria sido aplicado pela prefeitura, caso seja considerado uma solução para ampliar o acesso aos serviços de saúde.
“E o que ele fez na saúde de Salvador? Por que ele não aplicou essa proposta? Eles governam Salvador há 16 anos e a população tem serviço para ele comprar.”
O candidato afirmou que a prefeitura é responsável por parte dos serviços de saúde oferecidos à população da capital e mencionou os recursos recebidos pelo município por meio do SUS.
“Salvador recebe quase R$ 1 bilhão do SUS para poder atender a população. Então, o povo de Salvador não consegue fazer exame. Ele está mentindo, ele não contrata serviço para fazer exame do povo de Salvador.”
Rui também acusou a gestão municipal de utilizar a oferta de exames como instrumento político.
“O pouco que ele contrata, ele dá como cota para os vereadores. Pergunte ao povo da periferia de Salvador como é que consegue fazer exame aqui. ‘Ah, eu tenho que pedir ao vereador que dê a senha dos exames’. Eu estou afirmando isso aqui.”
Na mesma linha, Rui criticou o modelo de auxílio para reforma de imóveis adotado pela Prefeitura de Salvador e fez uma comparação com a proposta de saúde.
“A mesma coisa, o programa dele de reforma de casa. A população tem que mendigar a um vereador para reformar a casa.”
O petista também fez críticas à oferta de atenção básica e à infraestrutura de saúde da capital, além de citar investimentos realizados durante sua gestão no governo da Bahia.
“Eu construí duas policlínicas iguais a essa aqui em Salvador, uma no bairro de Escada, outra no bairro de Saboeiro. Eu entreguei a chave a ele.”
Rui ampliou os ataques para a área da saúde em Feira de Santana e afirmou que o município, segundo sua avaliação, tem deficiência na estrutura hospitalar.
“Eu acho, não tenho certeza, mas acho que é a única cidade do Brasil de 700 mil habitantes que não tem um hospital.”
O candidato também criticou o grupo político que administra Feira de Santana há décadas.
“Essa gente que vai falar de saúde? Não, me desculpe.”
Na avaliação de Rui, a proposta apresentada por ACM Neto não resolveria a falta de oferta de serviços onde não existem unidades privadas disponíveis para contratação.
“Isso já existe em todos os estados, todo mundo faz isso. A Bahia faz isso. Em Conquista, por exemplo, a hemodinâmica, a gente contrata do privado. Lá tem um serviço e a gente compra esse serviço.”
Rui ainda afirmou que a principal dificuldade estaria na inexistência de determinados serviços privados em diversas regiões do estado.
“O problema na Bahia é que nós não temos serviço particular para comprar na maioria das regiões, na maioria das cidades.”
O petista citou procedimentos de alta complexidade como exemplo.
“Nem em Salvador tem para comprar. Eu não tenho cirurgia neurológica para comprar aqui. Os hospitais privados não querem atender o SUS, nem o Planserv.”
Ao defender sua gestão na área da saúde, Rui afirmou que o governo estadual ampliou a oferta de procedimentos especializados no interior.
“Eu tenho orgulho de dizer: nós levamos hospitais para o interior da Bahia. Essa região de Irecê não fazia procedimento cardíaco, hoje faz. Faz procedimento neurológico. Não tinha tratamento de câncer, hoje tem.”
Rui também afirmou que novos equipamentos de saúde estão em construção ou ampliação em diferentes regiões do estado.
“Todas as regiões de saúde do estado têm tratamento de câncer e vai ficar melhor até o ano que vem.”
Ao concluir a crítica, o candidato voltou a questionar a novidade atribuída à proposta adversária.
“Não é repetindo com outro nome o que já existe. Vou repetir: isso já existe no SUS desde que o SUS foi criado.”
Rui encerrou defendendo a ampliação da rede pública e a construção de novas unidades como alternativa para aumentar a oferta de atendimento.
“Nós ainda temos mais hospitais para inaugurar e outros que estamos aumentando. Logo, logo, a gente vai conseguir atender à demanda, aumentar a oferta de serviço e, portanto, resolver essa questão.”