Deputado federal pelo União Brasil criticou duramente a “régua ética” governista após o líder do Senado se apoiar em erros alheios para se manter no posto.
Em forte pronunciamento compartilhado em suas redes sociais nesta segunda-feira (22), o deputado federal Arthur Maia (UNIÃO-BA) criticou asperamente a postura e as recentes justificativas adotadas pelo líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA). O parlamentar manifestou indignação diante da premissa de que Wagner não deixaria o cargo de liderança porque o presidente Luiz Inácio Lula da Silva enfrentou uma situação jurídica considerada “muito mais grave” no passado.
No vídeo publicado, Maia apontou perplexidade com a lógica defensiva do correligionário baiano frente aos desdobramentos de investigações de órgãos de controle. “O Brasil e particularmente a Bahia assistiu com perplexidade a declaração do líder do governo, senador Jaques Wagner, dizendo que depois das ações que aconteceram aí em relação a ele, ele não será demitido da liderança porque aconteceu com o presidente Lula uma situação muito mais grave e isso, portanto, que aconteceu com ele não é problema nenhum”, declarou o deputado.
Para o parlamentar da oposição, esse modelo de argumento revela uma tentativa de substituir a cobrança direta por responsabilidade individual pela simples comparação com falhas alheias, rebaixando o nível do debate público e da ética institucional. “O que nos choca, e é inimaginável, é que quem tá falando isso seja um aliado do Lula, seja o líder do governo do Lula. Meus amigos, eu quero que o Brasil e a Bahia avalie essa situação, essa régua ética que se estabeleceu na política por essas pessoas. Uma régua ética que está muito abaixo daquilo que o Brasil pensa, deseja e acredita”, disparou.
A manifestação de Arthur Maia ocorre em um momento de acentuada fragilidade política na liderança do governo no Senado, onde pressões internas e externas pautam os rumos éticos da governabilidade. Ao encerrar a gravação, o deputado conclamou a população baiana e brasileira a rejeitar a tese de que a moralidade pública não possui relevância diante de um erro maior. “Não dá pra conviver com tanta falta de ética, com um conceito em que a moralidade política não tem nenhuma importância, que o sujeito diz: ‘Não, eu tenho aí esses problemas, mas o meu chefe teve um problema maior, e por isso eu não vou sair da liderança’. Realmente a Bahia, o Brasil não merecem isso”, concluiu.
