Em desabafo emocionante, cantor baiano que possui trânsito com a família do governador denuncia a existência de “panela” nos festejos juninos e revela estar há um ano sem receber.
O cantor Netinho do Forró fez um contundente desabafo público direcionado ao governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), nesta segunda-feira (22). Durante sua participação no podcast The Bate Papo, do portal IPolítica, o artista denunciou o que classificou como um monopólio agressivo na contratação de atrações para os eventos públicos estaduais, além de cobrar a quitação de valores atrasados referentes à sua apresentação nos festejos juninos do ano passado.
Demonstrando proximidade com o núcleo familiar do chefe do Executivo baiano, Netinho relembrou uma conversa ocorrida no município de Macarani, na qual o próprio governador teria chancelado o carinho pelo músico. “Excelentíssimo senhor governador Jerônimo, que me tem como família. O senhor chegou numa cidade de Macarani e uma pessoa solicitou um artista para o senhor. O senhor perguntou: ‘Você já tem algum nome?’. O rapaz falou: ‘Tenho muita vontade de trazer Netinho do Forró’. E o senhor respondeu: ‘Netinho eu tenho como família'”, relatou o cantor, contextualizando a cobrança.
Em tom dramático, o vocalista afirmou falar em nome de uma classe artística sufocada e pediu a intervenção direta de Jerônimo Rodrigues para quebrar o monopólio corporativo que, segundo ele, destrói o mercado local. “Nós estamos mendigando pela tua ajuda, Jerônimo Rodrigues. Nós, artistas, todos — grandes, médios, pequenos, iniciantes e enormes —, nós necessitamos de uma providência de Vossa Excelência, onde essa panela se acabe e todos voltem a ter vez. O Estado não é só de um grupo de empresários. Tem muitos empresários passando fome. Tem muito artista que desmancharam projetos por conta desses abutres que tomaram conta da Bahia”, desabafou.
Ao apelar pela sensibilidade do governador, Netinho do Forró citou nominalmente as irmãs do gestor estadual para atestar o respeito que possui dentro das residências da família. “Falo do fundo do meu coração, em nome de tia Graça, que é sua irmã; de Rita Rodrigues, que é sua irmã; de Silvana, que é sua irmã; e de tantos outros familiares que me tratam muito bem quando eu chego nas residências de vocês”. O ápice das declarações ocorreu quando o músico detalhou a crise financeira e o calote institucional enfrentado pela categoria após um ano do ciclo festivo anterior. “Estou te pedindo, te implorando: nos ajude. O meu São João do ano passado tá sem receber, mas a minha banda tá paga”, concluiu o artista, batendo no peito em sinal de indignação.
