Deputado federal afirmou que a mudança deve melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores, mas defendeu diálogo com empresários para reduzir impactos no setor produtivo
O deputado federal Zé Neto (PT-BA) defendeu, nesta terça-feira (19), em Brasília, o fim da escala 6×1 e a adoção da escala 5×2, com jornada de 40 horas semanais e sem redução salarial. A declaração foi dada em entrevista ao Política Ao Ponto, ao comentar o debate nacional sobre a mudança nas relações de trabalho.
Zé Neto afirmou que a discussão não deve ser tratada como um movimento contra o empresariado, mas como uma tentativa de atualizar o modelo de jornada e garantir mais tempo de vida aos trabalhadores.
“A gente precisa de tempo pras pessoas viverem. O mundo mudou, a geração Z está mostrando isso também de forma muito contundente. Você tem que ter tempo pra se divertir, tempo pra cuidar de si, tempo pra visitar amigos, tempo pra ir ao comércio, tempo pra cuidar das coisas”, afirmou.
O deputado disse que tem dialogado com representantes do setor empresarial, especialmente do comércio e de CDLs, sobre a proposta. Segundo ele, a mudança para a escala 5×2 já se tornou inevitável.
“Eu tenho conversado muito com o setor empresarial, porque eu tenho uma relação muito boa, principalmente com o comércio, com as CDLs, que a 5 por 2 é uma realidade inevitável”, declarou.
Zé Neto defendeu que o Congresso aprove o fim da escala 6×1, mas com diálogo para tratar especificidades de alguns setores.
“Tem que votar o fim da 6 por 1. Com a 5 por 2 e as 40 horas, a possibilidade também de alguns setores específicos se fazer um diálogo pra tentar, de forma específica, cuidar desses setores”, disse.
Na avaliação do parlamentar, a medida pode melhorar a produtividade ao garantir trabalhadores com melhores condições físicas e emocionais.
“Essa produtividade precisa da IA, precisa da tecnologia, da inovação, mas ela fundamentalmente precisa de pessoas que estejam mais dispostas, que estejam com mais condição de entregar melhor o que estão fazendo”, afirmou.
O deputado também disse que o presidente Lula (PT) atuou para evitar uma mudança mais brusca e buscar uma solução negociada com empreendedores e setor produtivo.
“O próprio presidente Lula disse: calma, vamos fazer as coisas para que a gente não prejudique nem os pequenos empreendedores, nem os empresários, nem o setor produtivo, e encontrar com eles um diálogo”, declarou.
Zé Neto afirmou ainda que a pauta tem impacto especial sobre as mulheres, que segundo ele são mais sacrificadas pela falta de tempo e pela sobrecarga social e profissional.
“As mulheres estão sendo sacrificadas, as mulheres estão sofrendo. Inclusive, essa violência contra a mulher que cresceu no mundo todo vem em função da própria disposição que elas têm de cada dia ocuparem mais seus espaços profissionais e seu empoderamento”, disse.
Para o parlamentar, a mudança deve avançar com compensações e ajustes para o setor empresarial.
“Acabou, chega, não tem mais 6 por 1. Vamos pra 5 por 2, vamos para as 40 horas sem perda salarial, e vamos dialogar pra dar as condições ao setor empresarial de melhorar o Simples, de melhorar o MEI, de melhorar as condições estruturantes, pra que a gente gere mais emprego e renda”, completou.
