Ex-governador lamentou que Santa Catarina tenha elegido ex-vereador do Rio descartando nomes experientes e afirmou que pressão popular fará até a oposição votar com Lula
A capacidade de articulação política de um novo governo Lula diante de um Congresso com expressiva bancada conservadora foi analisada por Rui Costa na manhã deste domingo. O ministro da Casa Civil admitiu que o perfil do Senado Federal sofreu uma deterioração de quadros técnicos, mas sustentou que a governabilidade será assegurada pelo engajamento direto da sociedade civil.
Rui usou o resultado eleitoral catarinense para ilustrar a perda de representatividade regional no parlamento:
“O presidente Lula já não teve maioria nesse mandato, e é evidente que a qualidade piorou muito no Senado. A autoestima do povo de Santa Catarina foi para o puxão, porque tenho dificuldade de imaginar um estado votando em um vereador de outro estado. Esperidião Amin pensa totalmente diferente do que eu penso, é conservador, mas indiscutivelmente tem início, meio e fim e é de Santa Catarina. Aí o povo elege alguém que não mora lá e era vereador do Rio de Janeiro, como se não tivesse ninguém de direita com qualidade no estado”.
Na visão do ministro, a aprovação de reformas progressistas dependerá da pressão popular sobre os parlamentares:
“A votação do fim da escala 6×1 deixou claro que, quando o povo se mobiliza, mesmo os que são contra votam a favor. O constrangimento eleitoral é tão forte que a bancada do PL, que era contra e é contra, acabou votando a favor. Mesmo com maioria de oposição no Senado, temos que governar com forte mobilização da sociedade para aprovar as pautas de interesse da população”.