A operação do transporte público coletivo em Salvador durante o segundo turno das eleições presidenciais deste domingo (25) provocou um embate direto entre a coordenação da campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e a gestão do prefeito Bruno Reis (União Brasil).
Em declarações à coluna da jornalista Mônica Bergamo, na Folha de S.Paulo, o senador eleito e coordenador da campanha petista, Rui Costa (PT-BA), afirmou que a Federação Brasil da Esperança (PT, PCdoB e PV) pretende solicitar a prisão do prefeito da capital e do secretário municipal de Mobilidade, sob a alegação de que a administração municipal estaria restringindo a circulação da frota para dificultar o acesso de eleitores às urnas.
“Ele está cometendo um crime eleitoral, dificultando que o eleitor exerça sua vontade soberana”, declarou Rui Costa à coluna, acrescentando em seguida: “Precisa ser preso”.
A representação apresentada pela federação governista foi apreciada pelo Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA), que emitiu determinação liminar ordenando o restabelecimento imediato da frota de ônibus em patamar equivalente ao de dias úteis, assegurando a continuidade da gratuidade tarifária em todos os itinerários da capital.
Em resposta contundente às declarações do adversário, Bruno Reis rechaçou veementemente a acusação de interferência eleitoral, classificou a denúncia de Rui Costa como inverídica e sustentou que a capital baiana historicamente assegura o livre deslocamento da população nos dias de pleito.
“A gente sempre colocou transporte gratuito aqui, independente de lei. Agora foi que virou lei, recomendação e decisão do STF. Objetivamente nunca tivemos problemas e Lula sempre venceu as eleições em Salvador”, afirmou o chefe do Executivo soteropolitano.
Ao detalhar as condições operacionais do sistema na manhã deste domingo, o prefeito esclareceu que 75 veículos tiveram a saída temporariamente adiada nas garagens de uma das concessionárias, mas atribuiu o ocorrido a uma manobra de grupos vinculados à oposição municipal para afixar material partidário nas frotas públicas.
“Foram para a porta da empresa de ônibus e colocaram adesivos do PT nas janelas. É uma concessionária de transporte público que não pode cometer esse crime eleitoral de propaganda. Por isso os ônibus foram retidos até a retirada dos adesivos. Mas já estão circulando nas ruas”, explicou Bruno Reis.