Prefeito de Itanagra participou do programa É do Povo, do portal Mais Região, e comentou sobre reforma eleitoral, compra de votos e cenário econômico
O prefeito de Itanagra, Marcus Sarmento, defendeu uma ampla reforma eleitoral no Brasil durante entrevista ao programa É do Povo, do portal Mais Região. Para o gestor, o país deveria unificar todas as eleições e ampliar o tempo de mandato.
“Sou a favor que o mandato seja maior, tenhamos apenas uma eleição a cada seis anos no Executivo, tudo unificado. A gente ia economizar muito e acabar com muita celeuma. Até que a eleição fosse dois dias por causa do número de votos, mas num período só, em um mandato maior de cinco ou seis anos e proibir a reeleição”, afirmou.
Ao comparar o modelo brasileiro com o americano, onde o eleitor vota em até 21 cargos, incluindo juízes, Marcus destacou que o voto obrigatório ainda é necessário no Brasil para evitar maior influência do poder econômico.
“Tem muita influência financeira. Se o voto fosse facultativo seria ainda pior”, disse, ao rebater um dos apresentadores que se declarou favorável ao voto facultativo.
Compra de votos
O prefeito denunciou a prática de compra de votos na região, citando como exemplo Mata de São João, onde, segundo ele, houve pagamento de R$ 300 por voto. Marcus disse que também recebeu relatos de ofertas em Itanagra.
“Às vezes o cara é levado pra urna porque ele tá recebendo ali duzentos, trezentos reais. Quem sofre muito é vereador, o cara faz um trabalho bacana os quatro anos e aparece alguém na véspera oferecendo dinheiro”, relatou.
Para ele, o eleitor deveria pegar o dinheiro e votar por consciência. “Se aparecer alguém que não te ajudou os quatro anos oferecendo trezentos reais, pegue e vá lá e vote em quem te ajudou, mas não deixe de ganhar seu dinheiro não”, aconselhou.
Questionado sobre a confiança nas urnas eletrônicas, Marcus afirmou que não acredita em fraude no equipamento.
“Eu não acredito que tenha fraudes nas urnas. A fraude é antes, nas coisas que são prometidas”, declarou.
Reforma tributária
Ao comentar a reforma tributária, Marcus Sarmento, que também é empresário, demonstrou preocupação e pessimismo.
“Pior. O novo imposto bateu 11,35% a previsão. Juntando tudo pode chegar a 30%. Vai ser a maior carga tributária do mundo, já é a segunda maior, vamos ser a maior. Vamos chegar em primeiro lugar no mundo. Então dizer que isso é uma política de incentivo empresarial, não é”, criticou.