Em nova manifestação na Câmara de Salvador, vereador do PCdoB revela dados do Procon, afirma que rodoviários foram surpreendidos pela falta de frota e nega qualquer gerência sindical sobre escalas e ordens de serviço.
O vereador Hélio Ferreira (PCdoB) subiu o tom contra o Palácio Thomé de Souza, nesta terça-feira (27), na Câmara Municipal de Salvador, ao apontar incongruências nos números divulgados pela prefeitura para justificar o desfalque no transporte público no último domingo de votação. De acordo com o parlamentar, dados do próprio Procon apontaram a retenção de mais de 900 coletivos nos pátios das empresas, desqualificando a tese de que a colagem de propaganda eleitoral em 75 veículos teria paralisado o sistema da capital baiana.
Para Ferreira, a narrativa municipal tenta desviar o foco de uma falha de planejamento operacional da própria administração. “Um tipo de contradição é aquela que você diz: ‘Ah, foi 75 ônibus com adesivo’. Se a frota tem 1.800, se tinha, segundo o Procon, mais de 900 carros na garagem, como é que se explica que 75 ônibus é o culpado de toda a situação? São contradições querendo tirar a responsabilidade de si para jogar em cima de quem não tem culpa”, disparou.
O líder rodoviário também rebateu insinuações de interferência de motoristas e cobradores na liberação dos coletivos, ressaltando os limites jurídicos e operacionais do sindicato. “A gente não tem acesso a escala, não somos nós que fazemos a escala dos trabalhadores e não somos nós que damos ordem de serviço. Então a gente não tem culpa nenhuma nessa situação; pelo contrário, contribuímos para colocar mais carros à tarde”, pontuou.
Ferreira revelou ainda que a categoria sequer foi convocada pela gestão municipal para estruturar previamente as escalas de folga do segundo turno. Segundo ele, o sindicato só tomou conhecimento do déficit com o caos já estabelecido nos pontos de ônibus. “As outras eleições nunca tiveram isso. Infelizmente nessa aconteceu, quando se deveria estar rodando com 100% da frota no domingo”, concluiu.