Líder da oposição articula quatro assinaturas entre aliados do Palácio Thomé de Souza para alcançar quórum regimental de 14 apoios e abrir comissão de inquérito na Câmara Municipal.
A bancada de oposição na Câmara Municipal de Salvador iniciou uma ofensiva sobre parlamentares governistas para viabilizar a abertura de uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) voltada a investigar a retenção de ônibus coletivos no último domingo de eleição. Em pronunciamento nesta terça-feira (27), o líder da minoria, vereador Randerson Leal (Podemos), classificou o episódio como um “ato antidemocrático” e afirmou que o bloco trabalha para ultrapassar os 10 votos da oposição e atingir o quórum de 14 assinaturas exigido pelo Regimento Interno.
A instalação da CEI depende do aval de um terço dos 43 vereadores da capital. Com o presidente da Casa, Carlos Muniz (PSDB), mantendo a exigência de cumprimento rigoroso do regimento para autorizar o procedimento, o grupo oposicionista precisa atrair formalmente pelo menos quatro membros da situação. “A bancada de oposição, os dez vereadores que temos, reuniu-se para solicitar a investigação. Esperamos que colegas da situação também assinem para alcançarmos as 14 assinaturas e instalarmos a comissão”, afirmou Leal.
O líder oposicionista rejeitou a versão apresentada pela Prefeitura de Salvador e pela Secretaria Municipal de Mobilidade (Semob), que atribuíram os desfalques a adesivos eleitorais colados em veículos. “A história dada pela prefeitura é muito frágil. Dizer que foram sindicalistas ou pessoas que colocaram adesivo de outro candidato não se sustenta. Alguém determinou a não saída dos coletivos e alguém determinou o alargamento dos intervalos nas paradas”, declarou.
Para o parlamentar, o déficit de transporte feriu garantias fundamentais da população. “Impediram as pessoas de exercerem o direito constitucional ao voto, a ponto de termos que organizar caronas solidárias. Não há por que ouvir essa justificativa e ficar calado; a Câmara tem o dever de apurar quem deu a ordem e punir os responsáveis por essa mancha na democracia da nossa cidade”, concluiu.