Pesquisador do Ipespe aponta que promulgação da semana 5×2 no Senado mobilizou trabalhadores formais e informais, impulsionando mobilização de rua na reta final.
A promulgação da proposta que instituiu o fim da escala de trabalho 6×1 pelo Congresso Nacional funcionou como a principal alavanca eleitoral para a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno de 2026. A tese foi sustentada pelo cientista político Antonio Lavareda nesta sexta-feira (30), durante participação na Rádio Metrópole, ao analisar os elementos que mobilizaram eleitores jovens e idosos e reduziram os índices de abstenção nas urnas.
Segundo o presidente do Conselho Científico do Ipespe, o debate presidencial do primeiro turno havia sido “sequestrado pelo caso STF-Vorcaro”, afastando o interesse popular da disputa. Na reta decisiva, contudo, a campanha petista combinou estratégias clássicas de mobilização de rua a uma pauta trabalhista concreta. “Nenhum outro fator mais do que o fim da escala 6×1 teve tanta capacidade de ora justificar, ora mobilizar, ora até modificar em sua direção o voto para o presidente Lula”, detalhou Lavareda.
O pesquisador refutou diagnósticos de analistas econômicos de que a medida alcançaria unicamente a parcela de 12% a 14% do eleitorado formal. Segundo ele, as balizas celetistas servem de espelho para as relações informais, dobrando a abrangência da pauta. “No Ipespe, quando na segunda semana nós medimos o impacto de fatores isolados, o fim da escala 6×1 aparecia com vinte por cento. Entre os eleitores mais jovens, de 16 a 35 anos, apontavam o fim da escala 6×1 como o principal fator na sua decisão de voto nada menos do que trinta e três por cento desse contingente”, asseverou.