Titular da Sesab confronta estigma de ‘fila da morte’ com dados operacionais e histórico técnico consolidado na gestão de crises do Estado.
Em meio ao debate público sobre o fluxo de atendimentos no Sistema Único de Saúde (SUS), a secretária da Saúde do Estado da Bahia, Roberta Santana, veio a público desmontar a classificação de “fila da morte” atribuída à Central Estadual de Regulação. Em declarações concedidas ao jornal A TARDE em Salvador e repercutidas em suas redes institucionais, a gestora defendeu que o sistema obedece a critérios estritamente clínicos de priorização e sustentou a eficiência das transferências com indicadores operacionais.
“A gente não pode dizer que a fila da regulação é uma fila da morte. É uma fila da vida, é uma fila que salva vida”, pontuou a secretária. O posicionamento enfático apoia-se em uma bagagem técnica construída ao longo de quase duas décadas na administração pública baiana: graduada em Administração pela Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS) e mestre em Administração Estratégica pela Unifacs, Roberta Santana acumula experiência na assessoria de planejamento e gestão de órgãos estratégicos como Embasa, CERB, Conder e na diretoria-geral da Secretaria de Desenvolvimento Urbano (Sedur).
Apoiada em métricas de produtividade, a gestora expôs a escala da operação estadual: com cerca de 600 profissionais dedicados em regime contínuo, a Central recebe diariamente cerca de mil solicitações, conseguindo direcionar aproximadamente 700 pacientes em até 24 horas. O índice de transferências e internações atinge 90% das demandas em um prazo de até três dias. “Saúde pública é coisa séria, e séria demais pra gente poder tratar de forma leviana ou trazendo dados e se escondendo atrás de números que não se sustentam dentro do sistema de regulação”, ressaltou.
A familiaridade com a logística hospitalar complexa vem de longa data. Antes de assumir a titularidade da Sesab em 2023 — após passagens pela diretoria-geral da Educação e pela equipe de transição governamental —, Roberta esteve no epicentro da crise sanitária da Covid-19 como chefe de gabinete da própria Secretaria de Saúde, coordenando a ampliação rápida de leitos clínicos e UTIs na Bahia. À frente da pasta, a gestora também liderou o avanço no volume de cirurgias eletivas no estado e a expansão da média e alta complexidade no interior por meio das Policlínicas e hospitais regionais.
Ao justificar a margem de cerca de 10% dos pacientes que enfrentam maior tempo de espera, a secretária esclareceu que essas ocorrências envolvem procedimentos de altíssima complexidade, a exemplo de neurocirurgias e cuidados onco-hematológicos (como leucemias), áreas que enfrentam escassez crônica de especialistas em todo o país. Para Roberta Santana, desconsiderar esses parâmetros técnicos desinforma a sociedade e ignora o esforço diuturno do corpo médico e operacional que mantém a rede funcionando.