Em entrevista à Sauípe FM, liderança do PT critica exploração política da saúde em redes sociais, compara estrutura da capital baiana com Fortaleza e cobra papel das prefeituras na atenção básica.
Ao avaliar os embates sobre a fila de regulação no Sistema Único de Saúde (SUS) na Bahia, Tagner Cerqueira (PT) rebateu as críticas da oposição e cobrou a corresponsabilidade das gestões municipais no atendimento à população. Em entrevista ao programa É do Povo, na Rádio Sauípe FM, o dirigente petista confrontou as declarações do ex-prefeito de Salvador, ACM Neto (União Brasil), e rechaçou o tratamento da saúde como peça de retórica digital.
“Agora, a gente não pode aceitar é videozinho de internet, de comoção, de falar… Eu vejo muito o ex-prefeito de Salvador, o candidato a governador ACM Neto, falando de regulação e ele não olha a gestão da sua cidade que ele governou”, pontuou. Em tom de cobrança, Tagner colocou em xeque a estrutura hospitalar deixada pela gestão do adversário na capital: “Quantas emergências tem em Salvador? O Hospital Municipal que eles inauguraram em Salvador não funciona de portas abertas, é porta fechada. Que emergência é essa?”.
Para respaldar a crítica sobre o déficit de unidades municipais de urgência, Tagner estabeleceu um paralelo com a capital do Ceará. “Aí a gente vai pra cidade de Fortaleza. Só a Prefeitura de Fortaleza, na cidade, na capital de Fortaleza, tem oito hospitais municipais. Salvador não. Então, não pode fazer esse debate de jogar pra torcida”, assinalou o petista.
Embora tenha admitido a existência de gargalos no fluxo de regulação estadual, Tagner sustentou que o Executivo baiano mantém aportes financeiros contínuos e defendeu que a solução passa pelo fortalecimento da atenção primária nos municípios, porta de entrada que evita a sobrecarga das unidades de alta complexidade.
“Eu não vou dizer que tá mil maravilhas, não vou aqui ser leviano dizer que tá tudo… não tá. E não por falta de investimento, a gente faz muito investimento. Agora, é um debate muito amplo, um debate muito sério, que a gente precisa trabalhar em parcerias com as cidades, em parceria com os municípios”, argumentou.
Por fim, Tagner reforçou que o foco preventivo dos municípios é determinante para desatar o nó dos leitos estaduais: “Não tô transferindo culpa, mas acredito que depende muito, muito mesmo da atenção básica. Uma boa atenção básica funcionando, a gente faz a prevenção”.