
Presidente do Conselho Superior da ACB e líder da FACEB viralizou com reflexão contundente sobre a falácia de que apenas trabalhar menos resolverá o esgotamento da população, esmagada pela inflação e pela ineficiência estatal.
O debate nacional em torno da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que propõe o fim da escala de trabalho 6×1 ganhou um contraponto de peso vindo do setor produtivo baiano. Em um vídeo que vem repercutindo fortemente nas redes sociais como parte da “Campanha da Autoestima Cidadã”, o empresário, advogado e escritor Paulo Cavalcanti expôs (para os seus mais de 24 mil seguidores) o que considera uma profunda contradição do Governo Federal: o discurso de aumento da “dignidade humana” no trabalho colidindo de frente com o endividamento recorde das famílias brasileiras.
Para Cavalcanti, que atualmente preside a Federação das Associações Comerciais e Empresariais da Bahia (FACEB) e ocupa a presidência do Conselho Superior da Associação Comercial da Bahia (ACB), o cansaço do brasileiro transcende a carga horária laboral. “O trabalhador brasileiro não está cansado apenas do trabalho. Ele está cansado da inflação, da violência, do custo de vida, da burocracia, e de pagar muito para receber muito pouco”, cravou no vídeo.
O líder empresarial e autor de obras voltadas à inteligência cidadã — como o livro “E aí? Isso é da minha conta?” — chamou a atenção para o paradoxo das propagandas oficiais no horário nobre. “Enquanto o governo lança a propaganda defendendo a redução de jornada de trabalho, o mesmo governo aparece no mesmo horário nobre criando o programa Desenrola para renegociar as dívidas do povo brasileiro. Percebem essa contradição? Se a dignidade humana está aumentando, por que o endividamento bate recorde?”, questionou.
Cavalcanti baseou sua fala em dados alarmantes, lembrando que mais de 80% das famílias brasileiras estão endividadas, vivendo no “limite entre o cartão, o empréstimo e o próximo boleto”. Segundo a sua tese, o foco exclusivo na redução da jornada funciona apenas como um “alívio momentâneo”, mascarando a falta de um plano de governo estrutural que ataque a raiz do problema socioeconômico do país.
A postura incisiva de Cavalcanti reflete o amadurecimento institucional do associativismo baiano, que tem buscado não apenas criticar, mas atuar de forma propositiva. À frente da Fundação Paulo Cavalcanti e do Movimento Via Cidadã, ele tem advogado pela migração de uma democracia meramente representativa para uma democracia participativa, onde o setor produtivo e a sociedade cobrem juntos a eficiência da gestão pública.
Alinhamento Institucional e Diálogo em Brasília
A visão sistêmica apresentada no vídeo está em total sintonia com os passos recentes dados pela Associação Comercial da Bahia. A entidade, que defende ativamente o que chama de “Gestão Consciente da Função Social da Empresa”, tem se colocado como uma ponte para evitar que as mudanças na legislação trabalhista quebrem o setor produtivo.
Recentemente, a diretoria da ACB recebeu o deputado federal baiano Paulo Azi, relator da PEC na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara. O objetivo da instituição é construir, através do diálogo, um “texto médio” e equilibrado. A premissa é clara: é preciso apoiar os interesses de melhoria na qualidade de vida dos trabalhadores, mas com um olhar minucioso e protetivo sobre aqueles que mantêm a roda da economia girando e geram os postos de trabalho.
É exatamente essa busca por equilíbrio econômico que norteia a conclusão de Paulo Cavalcanti em seu manifesto digital, ao exigir que o debate abandone o populismo e passe a discutir soluções como educação financeira, eficiência pública e valorização da moeda. “Dignidade humana é ter segurança, saúde funcionando, educação de qualidade, ter uma moeda forte, ter poder de compra. Porque dignidade não é sobreviver. Dignidade é prosperar”, finalizou.
José Calasans Jr.
