Prefeito de Salvador respondeu a acusações de traição disparadas pelo PT, apontou que adesão a ACM Neto no interior reflete o protagonismo da juventude e alertou que gestores locais perderiam votos se tentassem tutelar a população.
Em entrevista coletiva concedida nesta segunda-feira (21), durante agenda institucional no Centro de Convenções de Salvador, o prefeito Bruno Reis (União Brasil) reagiu frontalmente às declarações do deputado federal Jorge Solla (PT), que denunciou publicamente a prática de “jogo duplo” e acusou gestores municipais do interior de traírem a base governista ao liberarem apoios para ACM Neto (União Brasil) nos bastidores. Para Bruno, a tentativa petista de enquadrar prefeitos desconsidera a soberania do eleitorado e ignora o sentimento espontâneo de renovação que cresce nas cidades baianas.
Solla havia subido o tom contra lideranças municipais que participam de atos ao lado do governador Jerônimo Rodrigues, mas toleram palanques informais para a oposição, cobrando fidelidade partidária explícita e afirmando que o governismo não aceitaria “duas caras” na reta final da disputa estadual. Ao ser questionado sobre o entrevero, Bruno Reis rebateu a tese de complô político e situou a decisão exclusivamente nas mãos do cidadão.
“O eleitor quer apoiar Neto porque quer mudar! Quer ver um outro estado, quer poder sonhar novos sonhos. E os prefeitos não vão se opor a isso. Não vão enfrentar o seu eleitor, não vão brigar para mudar essa posição que é uma escolha livre do cidadão”, enfatizou o chefe do Executivo soteropolitano. Bruno ressaltou que a autonomia do voto é uma tradição consolidada na cultura política baiana. “A gente sempre disse que a escolha para presidente, para governador e para prefeito acaba sendo uma escolha própria da pessoa, por uma série de razões que levam ela a tomar essa decisão”, pontuou.
Falando a partir de sua própria experiência à frente da capital, o prefeito destacou que nenhuma máquina administrativa tem o poder de reverter uma convicção popular consolidada. “Eu sou prefeito, sei da força que nós temos. Mas quando o eleitor toma uma decisão e está convicto de que aquilo é o melhor para ele, a gente não consegue interferir nessa decisão. Então, mais do que jogo, há uma consciência de muitos prefeitos, em muitas regiões da Bahia, de que o eleitorado tomou um rumo”, argumentou.
O prefeito destacou nominalmente o engajamento da juventude no interior como o principal catalisador da mudança. “A juventude está engajada, viraram verdadeiros militantes querendo ver novas perspectivas de vida. Quem é que vai ficar contra isso? O prefeito que tentar brigar pode, no final do dia, acabar perdendo o seu próprio eleitor. E eles não vão fazer isso, claro. É uma escolha livre das pessoas”, concluiu Bruno Reis.