Presidente da Câmara de Salvador garante instalação da CEI dos ônibus caso oposição atinja 14 assinaturas, diz não proteger ninguém e se declara eleitor de Lula ao pregar pacificação.
O presidente da Câmara Municipal de Salvador, vereador Carlos Muniz (PSDB), admitiu nesta terça-feira (27) que o prefeito Bruno Reis (União Brasil) poderá perder o mandato se as investigações sobre o apagão de ônibus no domingo de eleição comprovarem a prática de crime ou ato ilícito. Ao mesmo tempo em que garantiu a abertura de uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) caso a oposição reúna as 14 assinaturas exigidas pelo regimento, Muniz repreendeu posturas açodadas e fez questão de se afastar do modus operandi da extrema-direita.
Questionado sobre a possibilidade de cassação do chefe do Executivo soteropolitano, Muniz pontuou os limites da legalidade. “Você não pode fazer um julgamento precipitado. Eu não posso fazer aqui o que dizem que os bolsonaristas fazem: julgar antes as pessoas sem ter a comprovação da culpa. Se for comprovado em que o prefeito municipal cometeu algum ato ilícito, sim, pode perder o mandato. Mas ele tem direito de ampla defesa, tem direito de se defender daquilo que está sendo acusado”, declarou.
O chefe do Legislativo confirmou o recebimento formal do pedido protocolado pela bancada de oposição e firmou o compromisso de chancelar os trabalhos investigativos se o quórum for atingido. Muniz assegurou ainda que entregará a condução da apuração ao bloco minoritário. “O compromisso está firmado: tendo as 14 assinaturas, eu instalo. Dessa CEI, quem irá participar são aqueles vereadores que fizeram esse pedido, com presidente e relator indicados por eles. Nós não estamos aqui para proteger ninguém, estamos aqui para fazer com que a lei seja cumprida”, enfatizou.
Ao comentar o clima de polarização e o andamento paralelo das apurações na Polícia Federal, Muniz defendeu a moderação institucional e revelou sua postura pessoal de alinhamento com o governo federal. “Sou uma pessoa que preserva a paz. A gente tem que ter um país que não esteja tão dividido como está hoje. Eu sempre fui eleitor de Lula, pensando em Lula fazer os melhores projetos para aquelas pessoas que mais precisam. E para que ele faça isso, nós precisamos de um país pacificado”, concluiu.