Presidente do PL na Bahia defende desoneração do setor produtivo, critica medidas que considera eleitorais e acusa Lula de usar o Bolsa Família para conquistar votos
O presidente do PL na Bahia, João Roma, defendeu que uma eventual mudança na escala de trabalho 6×1 seja acompanhada de medidas para compensar os custos do setor produtivo. Em entrevista ao programa Boa Tarde, Bahia, da Band, o ex-ministro da Cidadania afirmou apoiar a melhoria das condições de vida dos trabalhadores, mas alertou para o risco de fechamento de postos de trabalho caso a mudança não seja acompanhada de mecanismos de compensação para as empresas.
Para Roma, a discussão precisa considerar os impactos econômicos da medida e a capacidade dos empregadores de manter os vínculos trabalhistas. O dirigente defendeu a redução de impostos e encargos como alternativa para ampliar a competitividade das empresas.
“A grande questão é quem paga a conta. Então é esse aperfeiçoamento do sistema, pois é muito fácil o Estado toda vez estar se movimentando e fazer cortesia com chapéu alheio, tomar uma medida que pode, inclusive, comprometer postos de trabalho”, afirmou.
O presidente estadual do PL acrescentou que a melhoria das condições de trabalho deve ser acompanhada de soluções para reduzir os custos de contratação. “O benefício para o trabalhador, sempre nós vamos estar atuando nesse lado, mas é fundamental que a gente consiga encontrar soluções para que possam ser compensadas”, declarou.
Na avaliação de Roma, sem medidas que reduzam os custos das empresas, a mudança poderá prejudicar justamente os trabalhadores que pretende beneficiar.
“Se você não consegue criar mecanismo para que o Estado gaste menos e viabilize que o setor produtivo possa ter competitividade no Brasil, ou simplesmente a gente vai ceifar, vamos tirar muitos postos de trabalho e quem vai ser punido com isso é justamente a população”, disse.
João Roma cita fechamento de lojas e alerta para desemprego
Ao argumentar sobre os possíveis impactos econômicos, Roma mencionou o fechamento de estabelecimentos comerciais e atribuiu parte das dificuldades enfrentadas pelas empresas a mudanças tecnológicas, tributárias e institucionais.
“Toda hora você tá vendo reorientações econômicas aqui na Bahia, nos últimos meses, inclusive, muitas empresas fecharam. Você viu aí Casas Bahia, você viu muitos grandes centros de varejo fechando, e isso é emprego na veia da população, pessoas que ficaram desempregadas”, afirmou.
O dirigente defendeu que mudanças na legislação trabalhista sejam precedidas de planejamento e criticou o que considera medidas anunciadas sem estudos prévios ou com finalidade eleitoral.
“Não dá simplesmente para você ficar fazendo acenos, sobretudo de maneira, e eu repito, completamente casuística, completamente visando um processo eleitoral, porque essas medidas não foram pensadas antes”, declarou.
Presidente do PL acusa Lula de usar Bolsa Família eleitoralmente
Roma também criticou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao questionar o momento de anúncios relacionados ao Bolsa Família. Segundo o dirigente, a proposta orçamentária encaminhada pelo governo federal no início de agosto não previa a correção do benefício que, conforme sua avaliação, foi anunciada posteriormente em um contexto eleitoral.
“E não vou para os primeiros anos do governo Lula, não, eu vou para esse semestre, quando ainda, no início de agosto, ele encaminhou para o Legislativo uma mensagem orçamentária e, nessa mensagem orçamentária, não estava lá o aumento, na verdade, não o aumento, mas a correção do valor do Bolsa Família”, afirmou.
Roma sustentou que a diferença entre o planejamento orçamentário e o anúncio posterior demonstraria, na sua avaliação, uma intenção eleitoral do governo.
“E aí chega 10 dias das eleições, ele simplesmente anuncia, certo, para querer mais uma vez tá iludindo o cidadão necessitado em relação ao benefício desse”, criticou.
O presidente do PL na Bahia também voltou a defender as políticas sociais adotadas durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), especialmente o auxílio emergencial pago durante a pandemia de Covid-19 e a ampliação do benefício mínimo do programa de transferência de renda.
“Eu acho que muito foi feito na época do governo do presidente Bolsonaro, as pessoas não têm como não reconhecer, até porque viveram na pele, enfrentamos uma pandemia e mesmo assim conseguimos, a despeito de outros países ditos como mais desenvolvidos, não conseguiram ter a eficácia que nós tivemos para chegar com o pagamento do auxílio emergencial”, declarou.
O ex-ministro acrescentou que o programa foi importante para pessoas impedidas de trabalhar presencialmente durante as restrições sanitárias.
“Chegamos na ponta, ajudamos pessoas, triplicamos o valor do Bolsa Família. E você viu toda uma estruturação do sistema”, disse.
Roma rebate críticas sobre atuação federal nas chuvas da Bahia
Na entrevista, Roma também contestou críticas à atuação do governo Bolsonaro durante as fortes chuvas que atingiram municípios baianos. O dirigente relatou ter entrado em contato com o então governador Rui Costa (PT) para tratar da situação e afirmou ter visitado localidades afetadas ao lado do então ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho.
“Quando teve as fortes chuvas aqui no estado da Bahia, eu liguei para o governador Rui Costa para informar das fortes chuvas, ao lado do ministro Rogério Marinho, nós fomos para a localidade”, afirmou.
Segundo Roma, mais de 100 municípios solicitaram reconhecimento de situação de emergência naquele período. Ele sustentou que os repasses federais foram realizados sem distinção partidária entre os gestores municipais.
“Naquele momento, todos os municípios receberam recursos do governo federal e nenhum prefeito foi perguntado qual era o partido político que ele era afiliado”, declarou.