Em entrevista a emissora de rádio em Irecê, presidente da empresa lembrou o caso de Eike Batista ao justificar a importância da pesquisa geológica estatal e destacou a Bahia como líder em diversidade mineral.
O presidente da Companhia Baiana de Produção Mineral (CBPM), Henrique Carballal, destacou o papel estratégico da pesquisa mineral conduzida pelo Estado como ferramenta indispensável para atrair investimentos privados e impulsionar a economia baiana. Em entrevista concedida à rádio Líder FM, de Irecê, nesta terça-feira (22), o dirigente explicou que a atuação governamental no setor geológico funciona como indutora de desenvolvimento ao absorver as incertezas inerentes à prospecção no subsolo.
Carballal resgatou o contexto histórico da década de 1970, período em que o Brasil estruturou companhias públicas de mineração voltadas a desbravar áreas inexploradas e reduzir a exposição financeira do mercado. “A atividade mineradora é a atividade mais arriscada. Eu dou como exemplo o Eike Batista. Todo mundo deve lembrar de Eike Batista. Ele era o homem mais rico do mundo, tinha dinheiro de vários países e tentou encontrar petróleo no pré-sal. Ele gastou o dinheiro todo fazendo perfurações, não achava petróleo. Perdeu tudo”, pontuou o presidente da CBPM.
Segundo Carballal, o modelo das estatais permitiu que o poder público identificasse reservas viáveis para que a iniciativa privada ingressasse nos projetos com estudos técnicos consolidados e menor margem de risco. O dirigente ressaltou que, enquanto diversos estados extinguiram suas empresas de mineração nas últimas décadas, a Bahia preservou e reformulou a CBPM sob as diretrizes da gestão do governador Jerônimo Rodrigues.
Entre as transformações recentes, Carballal citou a alteração estatutária aprovada pela Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA), que rebatizou a instituição de Companhia Baiana de Pesquisa Mineral para Companhia Baiana de Produção Mineral, autorizando a estatal a firmar parcerias mais amplas e atuar diretamente na cadeia produtiva. “Hoje, a CBPM tem uma área de trabalho muito grande. Não só pelo investimento que nós estamos fazendo aqui, mas pelas perspectivas que nós estamos trazendo para o estado da Bahia, principalmente nas questões que dizem respeito aos minerais críticos e estratégicos”, explicou.
O gestor enfatizou a relevância das riquezas naturais do território baiano para a transição energética global. “A Bahia é o terceiro estado de produção mineral, mas nós somos o primeiro estado da diversidade, ou seja, nós temos uma grande quantidade de minerais. Deus abençoou a nossa terra. Esses minerais são fundamentais para a transição energética”, concluiu Carballal, reforçando o compromisso de posicionar a Bahia na vanguarda das novas matrizes industriais e sustentáveis.