Empreendimento mineral destravado após adequações urbanísticas terá vida útil de até 50 anos, investimento de R$ 10 milhões em obras municipais e recuperação de área com parque e lago.
A exploração e o beneficiamento de fosfato no município de Irecê, no centro-norte baiano, prometem transformar a matriz de insumos agrícolas do estado nos próximos meses. Em entrevista à rádio Líder FM nesta terça-feira (22), o presidente da Companhia Baiana de Produção Mineral (CBPM), Henrique Carballal, anunciou que as operações da empresa Galvani permitirão suprir a demanda regional e diminuir a dependência externa de adubos.
“A Bahia se tornará independente da importação de fertilizantes fosfatados a partir de março do ano que vem”, declarou Carballal. Ele ressaltou a dimensão estratégica do mineral para conter a inflação de alimentos no Brasil: “O fosfato é fundamental para a agricultura. Não existe agricultura sem os fertilizantes. O Brasil é dependente”.
O presidente da CBPM recordou que a jazida esteve paralisada devido a entraves territoriais que quase levaram a mineradora a transferir aportes para outras regiões. “A mina estava completamente inviabilizada. A Galvani estava apoiando outras áreas do Ceará e outras áreas na Bahia. O prefeito, na época, conseguiu destravar isso, dialogou com todos os órgãos e estruturas do município e permitiu uma mudança no PDDU e na legislação”, explicou.
O plano operacional contempla a recuperação ambiental da área ocupada pelo Centro Territorial de Educação Profissional (CETEP). Conforme detalhou o gestor, o espaço lavrado será revitalizado e entregue aos moradores com infraestrutura comunitária. “A área onde se extrair o fosfato, que pega o CETEP, vai ser feita uma cava que, normalmente, quando a gente extrai o minério, a gente recupera a área. A ideia é que nessa área você construa um lago, canalize as águas pluviais e faça uma urbanização que permita às pessoas terem um espaço de convivência”, afirmou.
O processo industrial contará com apoio financeiro da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) para aplicação de tecnologia própria na separação entre o fosfato e o calcário, permitindo que os resíduos sejam reaproveitados na correção de solos agrícolas.
Carballal apontou que a expansão da área outorgada ampliou a expectativa de operação da mina de 20 para até 50 anos, abrindo espaço para novas pesquisas minerais no território. O projeto abrange ainda contrapartidas de R$ 10 milhões em obras de infraestrutura urbana em Irecê, ações comunitárias do Instituto Galvani e uma projeção anual de R$ 20 milhões em arrecadação tributária e R$ 25 milhões em massa salarial.
“Para nós da CBPM, a mineração, em primeiro lugar, tem que ser inclusiva. Se a riqueza sai do subsolo, as pessoas que estão no entorno têm que ter escola, têm que ter saúde, têm que ter habitação, têm que ter benefícios dessa riqueza que está sendo extraída”, concluiu o dirigente.