Em tom de pré-campanha em Jaguaquara, ex-prefeito de Jequié criticou “maquiagem eleitoreira” no projeto do aeroporto regional, minimizou defecções de prefeitos aliados e comentou escândalo de Jaques Wagner.
O ex-prefeito de Jequié e pré-candidato a vice-governadordo bloco oposicionista, Zé Cocá (PP), cumpriu agenda política no município de Jaguaquara nesta segunda-feira (22). Recepcionado por lideranças locais, Cocá concedeu entrevista à imprensa regional na qual subiu o tom contra a gestão do governador Jerônimo Rodrigues (PT). O progressista mirou o que classificou como “falta de planejamento” e ações de caráter estritamente eleitoreiro na reta final do mandato do Palácio de Ondina, com foco na infraestrutura do Vale do Jiquiriçá.
Um dos principais alvos das críticas do ex-gestor foi o anúncio recente de decretos de desapropriação de terras localizadas entre Jaguaquara e Itiruçu para a prometida construção do aeroporto regional. Segundo Cocá, a movimentação tardia serve apenas para mascarar a ausência de entregas estruturantes ao longo dos últimos quatro anos. “Nós não podemos aceitar mais um governo que vem, a seis meses da eleição, falar em desapropriar o aeroporto agora, porque não houve um planejamento. O processo de desapropriação dura no mínimo seis meses, depois você tem um processo de projeto que dura mais uns seis meses. O mandato terminou! Licitar uma obra agora que estava no plano de governo há quatro anos é uma piada, uma reação de um governo em desespero”, disparou.
Cocá também traçou um diagnóstico severo sobre as carências urbanas de Jaguaquara, cobrando investimentos robustos em pavimentação e zeladoria e sugerindo que estará diretamente envolvido no tabuleiro municipal em 2028. “O entroncamento de Jaguaquara tem menos de 15% de pavimentação, as ruas estão abandonadas e a iluminação pública é muito ruim. Jaguaquara precisa de um ‘banho de luz’ urgente, de um projeto de drenagem ousado e de asfalto”, pontuou, projetando um cenário de vitória da oposição liderada por ACM Neto (UB) na disputa estadual para destravar recursos a partir de 2027.
Questionado sobre a perda de prefeitos da região que migraram para a base governista sob a influência de Rui Costa — a exemplo de Marquinhos (Lajedo do Tabocal), Bira (Itiruçu) e Betão (Apuarema) —, o progressista minimizou o impacto das defecções. Zé Cocá argumentou que possui histórico de votações expressivas nestes municípios de forma independente das máquinas municipais. “Eu faço política com muita paciência. Respeito os prefeitos, mas em Itiruçu, Maracás e Lafaiete Coutinho eu fui o deputado mais votado sem ter o apoio de prefeitos. O maior sinônimo da Bahia hoje é o clima de mudança, e o povo quer proximidade”, rebateu.
No encerramento da entrevista, Cocá analisou o cenário eleitoral a partir dos últimos escândalos nacionais que atingiram o comitê governista, mencionando a operação que envolveu o líder do governo, senador Jaques Wagner, e o Banco Master. Para o pré-candidato, o episódio abalou a estabilidade da base aliada e terá novos capítulos. “Não se compara com o caso de ACM Neto, que recebeu, declarou tudo no Imposto de Renda de forma legal e organizada. Wagner diz em entrevista que não tem renda e compra apartamento de 9 milhões de reais. Isso deixou as pessoas chocadas. O governo está desgastado e eu não tenho dúvidas de que isso é apenas a ponta do iceberg”, concluiu.
