Líder do governo no Senado admitiu ter intermediado a contratação do ex-ministro do STF para atuar como consultor jurídico de instituição financeira investigada.
Em entrevista exclusiva concedida à BandNews TV nesta quinta-feira (18), em Salvador, o senador Jaques Wagner (PT-BA) confirmou que atuou pessoalmente na indicação e intermediação da contratação do ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo Lewandowski, para prestar serviços ao grupo econômico do Banco Master. A instituição financeira é o pivô da 9ª fase da Operação Compliance Zero, deflagrada hoje pela Polícia Federal.
Segundo o relato de Wagner, a aproximação ocorreu após um pedido direto do empresário baiano Augusto Lima, apontado pelas investigações como um dos operadores do esquema. O parlamentar detalhou que o banco buscava blindagem e prestígio técnico para sua estrutura corporativa. “Ele queria uma indicação para a área jurídica do banco. Ele já tinha contratado o Gustavo Loyola no conselho de administração para a parte econômica e ele queria alguém na área jurídica”, explicou o senador.
O petista afirmou que a oportunidade surgiu logo após a saída do magistrado da corte constitucional. “O ministro Lewandowski tinha acabado de se aposentar do Supremo por conta dos 75 anos. Eu digo: ‘Olha, eu acho que não tem pessoa melhor'”, revelação feita pelo ex-governador ao descrever o momento da indicação.
Wagner pontuou que, após consultar o magistrado aposentado por meio de interlocutores, o próprio Lewandowski declinou de integrar o conselho formal do banco, optando por um modelo diferente de prestação de serviço. “O ministro disse: ‘Não, eu não quero ir para o conselho. Se ele quiser, eu posso ser o consultor jurídico do banco’, e foi o que ele foi contratado”, esclareceu o líder governista, reiterando que sua relação com o banqueiro Daniel Vorcaro é “praticamente zero” e restrita a apenas dois encontros institucionais.
