O ex-prefeito de Jequié e candidato a vice-governador da Bahia, Zé Cocá (PP), afirmou nesta quinta-feira (23) que o cenário para as eleições ao governo do estado não repetirá a dependência do apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) observada no pleito anterior. Em entrevista ao programa Giro Baiana, transmitido por rádio e redes sociais, o aliado de ACM Neto (União Brasil) defendeu que o governador Jerônimo Rodrigues (PT) terá de prestar contas diretamente à população em vez de se fiar apenas no alinhamento nacional.
Durante o debate na bancada, Cocá foi questionado se a ausência de um palanque presidencial único na oposição — diante do apoio de diferentes figuras opositoras a nomes como Ronaldo Caiado (União Brasil) e Flávio Bolsonaro (PL) — prejudicaria o grupo. Em resposta, o candidato sustentou que a transferência de votos não será decisiva como foi em 2022.
“Na eleição passada, isso prejudicou muito porque Jerônimo fez uma campanha em cima de uma promessa de que ele e Lula juntos resolveriam o problema da Bahia. Agora não. Jerônimo não tem como se esconder atrás de Lula mais não”, declarou Cocá.
Segundo o candidato a vice, Jerônimo já é amplamente conhecido no estado após quase quatro anos de mandato e viagens pelo interior, de modo que o eleitor passará a cobrar os resultados da gestão estadual. “Ele vai ter que dizer ao povo por que não entregou”, afirmou.
Projeções e dados eleitorais
Ao rebater questionamentos dos entrevistadores sobre o peso da marca do PT no estado, Cocá argumentou que, na eleição de 2022, o cruzamento de dados indicou uma dissociação entre as disputas nacional e estadual.
O candidato citou que, enquanto Lula obteve mais de 70% dos votos válidos na Bahia, a votação de Jerônimo no primeiro turno foi inferior, o que indicaria que uma parcela expressiva do eleitorado de Lula optou por votações distintas para o governo estadual.
“As pessoas votaram em Jerônimo na esperança de que ele e Lula resolveriam a problemática. Para a reeleição, ninguém vai votar no 13 por ser Jerônimo e Lula; vai votar na pessoa de Jerônimo e no que ele fez”, disse.
Cocá concluiu afirmando que não aceitaria compor uma candidatura ancorada prioritariamente na imagem de terceiros: “Se eu não tivesse capacidade de dizer ‘sou candidato pelos meus méritos’, eu teria vergonha de me esconder atrás de uma pessoa. Na reeleição, o julgamento é sobre o mandato”.