Salvador, 08/10/2026 16:28

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Wagner prevê “trabalho difícil, mas não impossível” com Congresso conservador e defende diálogo com centro e direita

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O senador Jaques Wagner (PT) afirmou que o próximo Congresso Nacional deverá exigir habilidade de negociação do governo federal diante do que classificou como um cenário de maioria conservadora. Para o petista, será necessário ampliar o diálogo com parlamentares de centro e de direita que respeitem a democracia, mas estabelecer limites em relação à extrema-direita.

A avaliação foi feita ao comentar o avanço de movimentos conservadores em diferentes países e os desafios que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) poderá enfrentar no Legislativo.

“Eu acho que a gente vai ter que ter muita habilidade para poder trafegar num Congresso bastante conservador na sua maioria”, afirmou.

Wagner critica Rogério Marinho

O senador citou o senador Rogério Marinho (PL-RN), que, segundo Wagner, deverá ter papel importante na articulação política de Flávio Bolsonaro. O petista classificou a visão de Marinho como “absolutamente conservadora”, especialmente em relação às questões trabalhistas e sindicais.

Wagner criticou a defesa do pagamento por hora trabalhada como alternativa à discussão sobre a escala 6×1. Segundo ele, esse modelo poderia gerar maior instabilidade para trabalhadores.

“É uma falácia esse negócio de pagamento por hora”, afirmou.

Como exemplo, o senador citou trabalhadores do setor de restaurantes e questionou como ficaria a remuneração em períodos de menor movimento.

“O cidadão vai trabalhar num restaurante, ‘ó, agora não tem mais cliente aqui, eu paro de lhe pagar’”, declarou.

Wagner também afirmou que conhece relatos sobre as dificuldades desse modelo nos Estados Unidos por ter familiares vivendo no país.

“Não consigo conversar com quem não tem bom senso”

Apesar das críticas à extrema-direita, Wagner defendeu que o governo mantenha diálogo com parlamentares de diferentes campos políticos.

“Tem gente que tem uma visão conservadora, mas que é um democrata, ou seja, que respeita o resultado das urnas”, disse.

Para o senador, a distinção entre setores conservadores e a extrema-direita será importante na construção de acordos no Congresso.

“Eu acho que a gente vai ter que ter habilidade de conversar com as pessoas de centro e até de direita, mas não de extrema-direita”, afirmou.

Wagner também citou como exemplo uma declaração atribuída por ele a uma deputada eleita em São Paulo sobre violência contra a mulher. Sem identificar a parlamentar, classificou a fala como um sinal de perda de “bom senso”.

“Eu converso com qualquer um, eu não consigo mais conversar é com quem não tem bom senso, que você não consegue dialogar”, declarou.

Wagner cita experiência no governo Lula

O senador também lembrou sua atuação como líder do governo durante o atual mandato de Lula e afirmou que precisou negociar em um cenário sem maioria consolidada no Congresso.

Segundo Wagner, uma das principais articulações realizadas nesse período foi a aprovação da PEC da Transição antes da posse de Lula.

“Eu consegui aprovar a PEC da Transição antes do presidente Lula sentar na cadeira de presidente”, afirmou.

Para o petista, a capacidade de negociação de Lula poderá ser novamente importante diante do novo cenário político.

“Mas o presidente Lula tem uma capacidade de negociação muito forte, óbvio que sentado na cadeira tem um peso muito grande”, declarou.

Ao final, Wagner reconheceu que a articulação no Congresso será difícil, mas afirmou acreditar na possibilidade de construção de acordos.

“Vai ser um trabalho difícil, mas possível”, concluiu.

Jornalista, com atuação na área de política e apaixonado por futebol. Foi coordenador de conteúdo do site Radar da Bahia, repórter do portal Primeiro Segundo e colunista em ambos os veículos. Atuou como repórter na Superintendência de Comunicação da Prefeitura Municipal de Lauro de Freitas e, atualmente, cobre política nos portais bahia.ba e Política Ao Ponto.

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