O senador afirmou que ambas as medidas passam pela lógica de ajuste fiscal apresentada pela campanha de Flávio Bolsonaro, que mira programas sociais, saúde e educação
O senador Jaques Wagner (PT-BA) reagiu nesta sexta-feira (23) às declarações da coordenadora econômica da campanha de Flávio Bolsonaro (PL), Daniella Marques, que defendeu cortes no Bolsa Família e a substituição de servidores públicos por inteligência artificial. Para Wagner, as duas medidas nascem da mesma lógica de ajuste fiscal que o candidato pretende aplicar caso seja eleito.
“O Flávio falou de ‘tesouraço’ ao lado do presidente da Argentina, para cortar 200 bilhões do orçamento do país. Pode escrever, vocês que estão nos ouvindo, o corte será em cima de programas sociais, de educação, de saúde e de servidores”, alertou o senador, em entrevista à Rádio Metrópole. “Na cabeça deles é o seguinte: Não tem dinheiro? É pobre ou é remediado? É da classe média? Se vire e, se não tiver condição, morra”, acrescentou.
Sobre o Bolsa Família, Wagner afirmou que o raciocínio de Daniella parte da premissa ultrapassada de que programas assistenciais são “um favor” ou “um exagero”. “Se você vê uma pessoa se afogando, você não vai ensinar a nadar: você joga uma boia, salva e depois ensina a nadar. Dentro dessa analogia, o Bolsa Família é uma boia”, comparou.
O senador também contestou a ideia de que o benefício desmobiliza quem recebe. Para ele, a saída do programa acontece de forma espontânea quando há ascensão social. “A nossa gente, quando consegue ascender, ela mesma entrega o cartão do Bolsa Família e sai. Aqui na Bahia foram milhares que saíram do Bolsa Família, exatamente porque conseguiram progredir. Mas na cabeça do outro lado é sempre isso”, criticou.