Prefeito da capital baiana contrapõe investimentos da prefeitura em saúde e equilíbrio fiscal às pendências financeiras e obras paradas da administração estadual
Em tom crítico à administração estadual, o prefeito de Salvador, Bruno Reis (União Brasil), elevou a pressão contra o governo da Bahia ao contrastar a saúde financeira da capital baiana com o que classificou como desorganização fiscal da gestão estadual. As declarações foram dadas durante entrevista à Rádio Sociedade da Bahia.
Ao detalhar os custos da rede municipal de saúde, Bruno Reis destacou o peso expressivo dos aportes com recursos próprios da prefeitura para manter em funcionamento unidades de saúde e programas da atenção básica. Segundo o gestor, o município arca com a maior fatia do custeio de infraestruturas estratégicas, como o Hospital Municipal de Cajazeiras e o Hospital Municipal de Boca da Mata.
“Sabe quanto é o Hospital Municipal lá de Boca da Mata? É R$ 15 milhões. Se vier R$ 5 milhões ou R$ 6 milhões do governo federal, é muito, e o restante é R$ 9 milhões ou R$ 10 milhões da prefeitura. Sabe quanto é o Saúde da Família? R$ 10 milhões por mês. Só em três equipamentos que a prefeitura coloca aí, são quase R$ 35 milhões de reais de recursos próprios”, afirmou o prefeito.
Segundo o chefe do Executivo soteropolitano, a capacidade de manter os investimentos em dia é fruto de “gestão e equilíbrio fiscal”. Ele ressaltou que a prefeitura cumpre rigorosamente os pagamentos a fornecedores e servidores públicos, quitando salários até o dia 25 de cada mês.
Ao fazer o contraponto com a gestão estadual, o prefeito apontou atrasos nos pagamentos a empreiteiras, artistas e médicos, além de criticar a paralisação de obras contratadas pelo Estado.
“Vá no governo do Estado, tá todo mundo reclamando: empreiteiro que não recebe, artista que não recebe, médico que não recebe… Todo mundo se queixando por falta de pagamento. Porque não tem gestão, não tem organização”, criticou.
Reis também ironizou as promessas do governo baiano na véspera de períodos eleitorais, afirmando que a falta de planejamento orçamentário compromete a entrega das intervenções prometidas.
“Não sabe o que o orçamento tá comprometido com obras, com programas e projetos que estão em curso, e não sabe o que tem livre para novos compromissos. Por isso saem prometendo o céu e a terra e não entregam”, concluiu Bruno Reis, citando como exemplo obras paralisadas no interior e na Região Metropolitana de Salvador.