A eleição deste domingo (4) não apenas consagrou a força política da prefeita de Lauro de Freitas, Débora Régis (União Brasil), como sepultou as chances de dois nomes que eram especulados para desafiá-la em 2028. A ex-prefeita Moema Gramacho (MDB) e Cibele de Teobaldo (União Brasil), apontadas como possíveis candidatas ao Executivo municipal na próxima disputa, tiveram desempenhos pífios nas urnas e viram suas pretensões políticas se esvaziarem diante do resultado eleitoral.
Enquanto Débora Régis entregava uma votação recorde para ACM Neto (União Brasil) — 68.791 votos, o equivalente a 58,83% dos votos válidos, o segundo município mais expressivo da campanha no estado —, as duas adversárias em potencial não conseguiram nem mesmo se eleger para a Câmara Federal. O contraste é o retrato de um novo cenário político em Lauro de Freitas, onde a atual gestora consolidou uma hegemonia que, hoje, não encontra contraponto à altura.
Moema Gramacho: 46 anos de PT, 5 mil votos e o ocaso de uma era
A trajetória de Moema Gramacho em Lauro de Freitas é longa: quatro mandatos como prefeita, um mandato como deputada federal, e uma militância de 46 anos no PT. Mas o que se viu nas urnas deste domingo foi o ocaso de uma era. A agora ex-petista, filiada ao MDB, recebeu apenas 5.369 votos para deputada federal — e, desse total, somente 2.576 foram registrados em Lauro de Freitas, a cidade que ela comandou por quatro oportunidades.
Para efeito de comparação, em 2014, quando se elegeu deputada federal, Moema obteve 81.414 votos. A queda é brutal: uma redução de mais de 90% em apenas doze anos. Mesmo no seu principal reduto eleitoral, o desempenho foi inexpressivo, demonstrando que sua base política se dissolveu.
O resultado não é fruto do acaso. Moema deixou o PT em abril, após 46 anos de filiação, e concorreu pela primeira vez fora da legenda. Sua última gestão à frente da prefeitura foi alvo de investigações, incluindo a Operação Nota de Conceito, da Polícia Federal, que apura suspeitas de irregularidades em contratos para fornecimento de tablets à rede municipal de ensino.
A perda de espaço político já havia sido sinalizada em 2024, quando seu candidato à sucessão, Rosalvo Ramos, foi derrotado por Débora Régis — e, depois, passou a integrar o grupo político da atual prefeita. Com 5.369 votos, Moema não apenas perdeu a eleição: sepultou qualquer chance de retornar ao Executivo municipal em 2028.
Cibele de Teobaldo: do sonho de ser a mais votada à realidade dos 9,9 mil votos
Cibele de Teobaldo tinha tudo para ser a grande surpresa da eleição proporcional em Lauro de Freitas. Assistente social, candidata do empresário Teobaldo Costa — candidato a prefeito em 2020 —, Cibele chegou a ser apontada como uma possível deputada federal mais votada da Bahia. Sua pré-candidatura foi tratada como prioridade pelo grupo político, com direito a lançamento em evento com lideranças em Itinga.
O resultado, no entanto, ficou muito longe das projeções. Cibele de Teobaldo recebeu 14.839 votos no total, sendo apenas 9.974 em Lauro de Freitas. Apesar de ter arrecadado mais de R$ 3 milhões para a campanha, o desempenho nas urnas foi insuficiente para garantir uma vaga na Câmara dos Deputados.
O investimento — com publicidade impressa, carros de som, militância e serviços advocatícios — não se traduziu em votos. E, o que é mais significativo para 2028: os pouco menos de 10 mil votos obtidos em Lauro de Freitas representam menos de 1/6 da votação que Débora Régis entregou a ACM Neto no município. O sonho de Teobaldo de enfrentar a prefeita nas urnas municipais morreu na mesma urna que inviabilizou a eleição federal da indicada para Câmara Federal.
Débora Régis: hegemonia consolidada e favoritismo incontestável
Enquanto as adversárias naufragavam, Débora Régis consolidava sua posição como a principal liderança política de Lauro de Freitas. A prefeita entregou 68.791 votos a ACM Neto, transformando o município no segundo maior percentual de toda a campanha no estado, atrás apenas de Salvador. A votação de 58,83% superou em 18,46 pontos percentuais o desempenho de Jerônimo Rodrigues (PT) na cidade.
O empenho de Débora foi decisivo: ela participou de mais de 100 atos eleitorais em Lauro de Freitas, conciliando a gestão municipal com a coordenação da campanha de ACM Neto em toda a Região Metropolitana de Salvador.
E os números das urnas confirmaram a projeção. Além da votação recorde para ACM Neto, Débora também impulsionou os candidatos a deputado estadual que apoiou, como Pedro Tavares e Elinaldo Araújo, que tiveram desempenho expressivo na cidade. O resultado consolida a prefeita como a dona do maior capital eleitoral de Lauro de Freitas.
O que isso significa para 2028
O recado das urnas é inequívoco. Moema Gramacho, com seus 5.369 votos e um passado de quatro mandatos, e Cibele de Teobaldo, com seus 9.974 votos em Lauro de Freitas e uma campanha milionária, não têm, hoje, base eleitoral para enfrentar Débora Régis em 2028. O eleitorado laurofreitense escolheu a continuidade e rejeitou, nas urnas, os nomes que tentavam se posicionar como alternativas.
Débora Régis, por sua vez, emerge deste pleito mais forte do que nunca. Com quase 80% de aprovação popular e uma máquina política engrenada, ela é, hoje, franca favorita para a reeleição em 2028 — sem adversário à vista que possa ameaçar sua hegemonia. O sonho de Moema e Cibele de disputarem a prefeitura morreu nas urnas deste domingo. E o caminho para Débora seguir fazendo história em Lauro de Freitas está, mais do que nunca, aberto.