No Rio Vermelho, em Salvador, o Une Cozinha abre sua segunda temporada, nesta quinta-feira (16), transformando o espaço em um convite sensorial: novos sabores chegam à mesa enquanto uma nova exposição ocupa as paredes. Juntos, cardápio e arte propõem uma experiência de pausa, presença e conexão.
A renovação é completa, mas preserva a essência afetiva da casa. O menu segue organizado em três momentos, manhã, almoço e jantar, com dois pratos mantidos em cada período a partir da votação dos próprios clientes. A curadoria colaborativa reforça o vínculo com o público e dá continuidade às histórias que já marcaram quem passa pelo Une.
Entre as novidades, o destaque é o Katsu Sando, sanduíche japonês que passa a integrar o cardápio. Ícone da cultura japonesa, o prato reúne lombo suíno empanado no panko (tonkatsu), pão de leite japonês macio (shokupan), molho agridoce, maionese japonesa e repolho fatiado. No Une, o pão é produzido artesanalmente, aprofundando o caráter autoral da experiência.
À frente do projeto, a empresária e cozinheira Cris Une reforça o conceito de movimento contínuo da casa. “Cada temporada é um novo capítulo. A participação dos clientes na escolha dos pratos que permanecem torna o cardápio mais afetivo e fortalece essa construção coletiva”, afirma.
Mais do que um restaurante, o Une se posiciona como espaço de encontro entre linguagens. “Desde o início, pensamos o Une como uma vitrine para novos artistas. A ideia é criar conexões entre diferentes formas de expressão e ampliar repertórios”, completa Cris.
Nesta temporada, quem ocupa o espaço expositivo é a artista Maria Correia, com o tema: ‘Terrenos Áridos’. A artista visual pela UFBA apresenta obras em telas e tecidos. Sua produção investiga deslocamento, pertencimento e memória, com figuras femininas em cenários abertos e simbólicos.
“Na minha arte, as mulheres aparecem em espaços amplos, quase infinitos, carregando objetos que representam peso. É uma forma de materializar o deslocamento, porque a gente nunca leva só o corpo, leva também o passado e as expectativas de futuro”, explica.
O diálogo com o ambiente do restaurante amplia a potência da obra. Para Maria, a experiência gastronômica cria um estado de maior sensibilidade: “Existe um convite natural à pausa. O restaurante é um lugar de encontro, e minha intenção é provocar esse olhar mais atento, mais presente”.
Inspirada pelo outono, a exposição atravessa a ideia de transição e renovação. “É um tempo de deixar ir o que não serve mais para abrir espaço ao novo. Espero que as pessoas sintam esse convite quando estiverem aqui”, completa.
Inaugurado em dezembro, o Une Cozinha vem se consolidando como um dos espaços mais autorais de Salvador ao integrar gastronomia e arte em uma mesma experiência, onde comer também é sentir, observar e se conectar.
