O vereador de Salvador Cláudio Tinoco (União Brasil) voltou a criticar o projeto da Ponte Salvador–Itaparica e afirmou que o empreendimento perdeu viabilidade econômica em razão da elevação dos custos estimados para sua execução. Em entrevista à Rádio CBN, nesta sexta-feira (17), o parlamentar disse que especialistas calculam que a obra custaria atualmente cerca de R$ 15 bilhões, acima do valor previsto após a renegociação do contrato de concessão.
Segundo Tinoco, o novo cenário financeiro colocaria em dúvida a capacidade da concessionária responsável pelo projeto de executar a obra nas condições atualmente estabelecidas.
“Hoje eu tenho informações de especialistas que dizem que essa ponte, se ela começar hoje a obra para valer mesmo, conclui a um custo de R$ 15 bilhões. Não existe viabilidade econômica com as garantias que existem, e os chineses sabem disso”, afirmou.
O vereador também questionou as intervenções realizadas recentemente no canteiro do empreendimento e minimizou o significado das ações anunciadas pelo governo estadual. De acordo com ele, técnicos da área avaliam que os serviços não representam o início efetivo da construção da ponte.
“O engenheiro vai lá e diz ao deputado que isso aqui não tem nada a ver de obra. Isso aqui foi feito só para tirar foto. Quem conhece sabe que não tem viabilidade econômica para concluir”, declarou.
Durante a entrevista, Tinoco comparou o cronograma da Ponte Salvador–Itaparica com grandes obras de infraestrutura executadas na China e afirmou que empresas chinesas não costumam assumir empreendimentos sem garantias de retorno financeiro.
Ao abordar os investimentos chineses na Bahia, o vereador citou a instalação da montadora BYD em Camaçari como exemplo de empreendimento bem-sucedido, mas criticou os governos do PT ao mencionar a saída da Ford do estado e o projeto da JAC Motors, que não foi adiante. Segundo o parlamentar, esses episódios refletem dificuldades na condução da política industrial baiana.