O líder da oposição na Assembleia Legislativa da Bahia, deputado estadual Tiago Correia, criticou a decisão do governo Jerônimo Rodrigues (PT) de aderir ao reajuste do ICMS sobre gasolina, diesel e gás de cozinha, previsto para entrar em vigor em 1º de fevereiro de 2027. Para o parlamentar, mesmo que a atualização siga os critérios estabelecidos pela legislação, o governador poderia ter defendido a manutenção dos valores atuais do imposto, evitando ampliar a carga tributária sobre os consumidores.
“Não basta dizer que o aumento está previsto na lei. A questão é que a lei estabelece as regras, mas isso não significa que o governador precise concordar com um reajuste que vai pesar ainda mais no bolso da população. A Bahia poderia ter defendido a manutenção dos valores atuais do ICMS. O combustível já tem uma carga tributária muito elevada, e não faz sentido aumentar ainda mais esse peso para quem precisa abastecer o carro, trabalhar, transportar mercadorias ou colocar comida na mesa”, afirmou Correia.
O deputado também destacou que o modelo de tributação estabelece valores fixos por unidade de medida, e não um percentual que aumenta automaticamente quando o preço do produto sobe. Segundo ele, manter o valor do imposto por litro ou por quilo seria uma alternativa para evitar uma nova elevação da tributação. “Se o preço do combustível sobe na distribuidora, isso não obriga o governo a aumentar o imposto cobrado por litro. O Estado pode manter o valor vigente e continuar arrecadando o mesmo montante por unidade vendida. O que não dá é transferir para o cidadão mais uma conta, justamente em produtos essenciais para o dia a dia das famílias e para o funcionamento da economia.”, declarou.
Correia ressaltou ainda que o aumento do ICMS sobre o diesel pode repercutir nos custos do transporte de cargas e, consequentemente, pressionar os preços de alimentos e outros produtos. No caso do gás de cozinha, o reajuste representa mais uma despesa para as famílias, especialmente aquelas de menor renda. Para o parlamentar, a decisão deveria levar em consideração não apenas a arrecadação dos estados, mas também o impacto tributário sobre o custo de vida dos baianos.
“Se o governo está arrecadando cada vez mais, como pode justificar a necessidade de aumentar justamente um imposto que afeta toda a população? Governar também é fazer escolhas. Jerônimo poderia ter defendido a manutenção do ICMS nos valores atuais e evitado mais essa pressão sobre o orçamento das famílias. Sabemos que o preço dos combustíveis é o maior influenciador no aumento da inflação, fazendo com que produtos e serviços fiquem cada vez mais caros. A população não pode ser sempre chamada a pagar a conta”, concluiu o líder da oposição.