Candidato a deputado federal pelo PT repudiou ação do deputado Diego Castro na UFBA; parlamentar do PL alegou fiscalização de propaganda partidária em prédio público.
O advogado e candidato a deputado federal Lucas Reis (PT) manifestou repúdio, nesta quinta-feira (20), aos atos registrados nas dependências da Faculdade de Comunicação (Facom) da Universidade Federal da Bahia (UFBA), no campus de Ondina, em Salvador. O episódio envolveu o deputado estadual Diego Castro (PL), assessores de seu gabinete parlamentar e estudantes que participavam das atividades de acolhimento do semestre letivo.
A confusão teve início quando o parlamentar do PL ingressou no prédio universitário com a finalidade de retirar adesivos e cartazes com menções ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao governador Jerônimo Rodrigues (PT). Castro sustentou que a iniciativa visava coibir a veiculação de propaganda político-partidária em equipamento público, gravando vídeos nos corredores e em frente a instalações sanitárias da unidade.
Durante a abordagem, o líder do Centro Acadêmico Vladimir Herzog (Cafacom) e diretor do DCE-UFBA, Tobias Muniz, cobrou a retirada da equipe, desencadeando um bate-boca generalizado. Imagens gravadas por celulares registraram o momento em que um integrante da equipe de Diego Castro empurrou o estudante, que caiu sobre assentos do corredor, gerando a intervenção imediata do diretor da Facom, Washington José de Souza Filho, e de docentes. Muniz formalizou um boletim de ocorrência na Polícia Civil e realizou exame de corpo de delito.
Ao comentar o ocorrido nas redes sociais, Lucas Reis criticou a conduta da comitiva e defendeu o espaço acadêmico. “Inadmissível o que aconteceu hoje na Faculdade de Comunicação da UFBA! Um parlamentar anti-Lula entrou na universidade acompanhado de seguranças e agrediu estudantes e servidores, sob o pretexto de ‘fiscalizar’ banheiro. Um absurdo! Esse tempo de intimidação e autoritarismo já passou. A universidade pública é lugar de conhecimento, diversidade, liberdade e, acima de tudo, diálogo. Respeitem a universidade pública!”, publicou o dirigente petista.
O episódio mobilizou entidades estudantis, que convocaram uma Assembleia Geral Emergencial no auditório da faculdade. A Administração Central da UFBA repudiou a conduta da equipe parlamentar, classificando a ação como perturbação da rotina acadêmica e informando o acionamento da Superintendência da Polícia Federal e a adoção de medidas jurídicas. Nas redes sociais, o caso dividiu opiniões entre apoiadores que defenderam o direito de fiscalização sobre bens públicos e críticos que apontaram desrespeito à autonomia universitária.