Presidente da ACB questiona timing da medida e defende que empresariado participe do debate eleitoral
A presidente da Associação Comercial da Bahia (ACB), Isabela Suarez, classificou como “inoportuno” o momento escolhido pelo governo federal para reajustar o Bolsa Família, em declaração nesta segunda-feira (21), durante o evento “Diálogos que Transformam”, realizado em Salvador.
O governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou na última quinta-feira (17) uma correção de 15,04% nos benefícios do programa. Com a atualização, o valor mínimo passa de R$ 600 para R$ 691 a partir de outubro. O governo afirma que a medida recompõe a inflação acumulada pelo INPC entre março de 2023 e agosto de 2026.
Para Isabela, porém, a proximidade da mudança com as eleições torna a decisão questionável.
“É um momento inoportuno para se proceder a atividade”, afirmou.
Crítica ao momento da medida
O anúncio do reajuste ocorreu 17 dias antes do primeiro turno das eleições, marcado para 4 de outubro. A correção passa a produzir efeitos financeiros a partir de 1º de outubro, conforme o decreto publicado pelo governo federal.
A presidente da ACB afirmou que o setor empresarial não concorda com a decisão nas circunstâncias atuais e defendeu a ampliação do debate público sobre medidas com impacto econômico e social.
“Da nossa parte, nós não concordamos”, declarou.
ACB quer debate com eleitores
Na avaliação de Isabela, o empresariado deve contribuir para a discussão sobre as decisões que afetam o país, promovendo debates e apresentando diferentes análises para a sociedade.
“Só nos cabe esperar e promover debates qualificados para que, de certa forma, isso impacte e consiga, de alguma forma, fazer o eleitor escolher os seus representantes”, afirmou.
O governo federal, por sua vez, sustenta que o reajuste não representa a criação de um novo benefício, mas uma atualização prevista na legislação do Bolsa Família para recompor perdas inflacionárias. A Advocacia-Geral da União também defendeu que a medida é compatível com a legislação eleitoral.
A correção eleva ainda o benefício médio estimado do programa de R$ 675 para R$ 777. Segundo o governo, o impacto fiscal será de R$ 5,8 bilhões em 2026.