O ex-prefeito de Amargosa e candidato do PT a deputado estadual, Júlio Pinheiro, cobrou nesta sexta-feira (18), que ACM Neto abra voluntariamente seus sigilos bancário e fiscal diante das novas revelações envolvendo o candidato do União Brasil na Operação Overclean.
A Polícia Federal achou mensagens que citam ACM Neto e Rueda em articulações do Rei do Lixo e considera o ex-prefeito principal investigado em uma das frentes da operação, que apura suspeitas de direcionamento de licitações e contratos da Educação de Belo Horizonte que ultrapassam R$ 80 milhões.
“ACM Neto precisa parar de se esconder atrás de discursos políticos e dar uma demonstração concreta de transparência. Se ele afirma que não tem nada a esconder, que abra voluntariamente seus sigilos bancário e fiscal. Não estamos falando apenas da Overclean. Estamos falando de uma sequência de fatos que envolve seu nome, relações empresariais com Daniel Vorcaro, contratos de consultoria com o Banco Master e uma acusação gravíssima de que ele e Antônio Rueda teriam direito a R$ 200 milhões em comissões. A população da Bahia tem o direito de conhecer toda a verdade”, afirmou Júlio.
O petista também lembrou que Daniel Vorcaro afirmou, em uma proposta de colaboração premiada que foi rejeitada pela PF e pela PGR, que ACM Neto e Antônio Rueda teriam intermediado aportes de institutos de previdência no Banco Master e receberiam uma comissão de 10%. Sobre os cerca de R$ 2 bilhões que Vorcaro disse terem sido captados por essa via, a comissão chegaria a R$ 200 milhões.
“É preciso esclarecer também a relação de ACM Neto com Vorcaro. O próprio ACM Neto admitiu que sua empresa, a A&M Consultoria, prestou serviços de consultoria ao Banco Master. Dados apresentados à CPI apontam R$ 5,45 milhões pagos pelo banco à empresa entre 2023 e 2025, enquanto o Coaf havia identificado R$ 3,6 milhões recebidos do Master e da Reag até maio de 2024. Não estou dizendo que contrato de consultoria, por si só, seja crime. Estou dizendo que, diante de tudo o que veio à tona, cabe a ACM Neto apresentar transparência absoluta sobre esses contratos, valores, serviços realizados e movimentações financeiras”, destacou Júlio.
Júlio também chamou atenção para a origem do Banco Master e para as conexões políticas de Vorcaro. O banco recebeu autorização do Banco Central para funcionar durante o governo Jair Bolsonaro e um áudio comprova Flávio Bolsonaro cobrando R$ 61 milhões de Vorcaro.
“Não é possível olhar para esses fatos de maneira isolada. De um lado, temos um banco que ganhou autorização para funcionar durante o governo Bolsonaro; de outro, temos Vorcaro mantendo relações com Flávio Bolsonaro, aliado político de ACM Neto na Bahia. E, paralelamente, surgem acusações envolvendo o próprio ACM Neto e o Banco Master. É justamente por isso que a melhor resposta não é atacar a investigação ou falar em perseguição: é abrir os sigilos e permitir que os fatos sejam esclarecidos”, afirmou Júlio.