Veterano com sete mandatos relata acordos surreais no interior e defende lista partidária para frear abuso de poder econômico nas eleições.
SALVADOR — Em uma das declarações mais contundentes de sua entrevista ao Giro Baiana, o deputado estadual Sandro Régis (União Brasil) disparou um alerta grave contra o suposto abuso de poder econômico que estaria inflacionando as campanhas legislativas no interior do estado. O parlamentar, que está em vias de disputar sua sétima eleição consecutiva, classificou as movimentações financeiras de candidatos novatas ligados à base do governo do estado como “surreais” e defendeu uma fiscalização rigorosa por parte do Ministério Público Eleitoral (MPE).
De acordo com o deputado, o volume de capital empregado por lideranças sem mandato desafia a lógica do exercício político tradicional e sugere a entrada de recursos sem origem declarada. “Tem candidatos inclusive, Zé, que eu não sei… eu estou para a minha sétima eleição, certo? Eu não sei como certos pré-candidatos novos estão arranjando tanto dinheiro. É caso de o Ministério Público ter que fazer uma investigação. Tem pré-candidatos aí que vão passar de 30 milhões”, denunciou. Ele acrescentou que os próprios deputados da base governista manifestam assombro, nos bastidores da Assembleia Legislativa (ALBA), com o nível de agressividade financeira adotado por seus correligionários. “O cidadão que faz do mandato o seu exercício e sua atividade, ele não tem como gastar o que eles estão gastando. O Adolfo Menezes já falou isso várias vezes”, pontuou, citando o presidente da Casa.
Régis detalhou um caso concreto de assédio financeiro ocorrido no principal colégio eleitoral do interior baiano. “Vou dar um exemplo aqui: tem um cidadão em Feira de Santana que ia votar comigo, suplente de vereador, um cara que passa, sei lá, 300 votos. O cara que fechou com esse cara ofereceu uma quantia de recurso que equivale a um acordo para 2.000 votos. Sério, ligado ao governo. Candidato a deputado sem mandato, que já foi prefeito e sabe muito bem o que está fazendo”, revelou, apontando que o cenário se repete em regiões como Euclides da Cunha e Campo Formoso.
Como alternativa estrutural para coibir o que chamou de “disputa desleal”, Sandro Régis defendeu a implementação do modelo de lista partidária nas eleições proporcionais. Para ele, o sistema atual pune o político de oposição que atua de forma limpa. “Para mim, o mais correto seria a lista partidária, que acabaria com isso. O partido fazia as indicações e você disputava de uma forma igualitária. Do jeito que a política está caminhando, um cidadão como eu, que não sou rico, que tenho 20 anos na oposição, que não tenho um esquema, é cada vez mais difícil”, desabafou. Apesar do cenário adverso, o deputado projetou que a coligação oposicionista manterá a robustez, calculando a conquista de 28 a 29 cadeiras na ALBA, impulsionada por puxadores de voto como Samuel Júnior (PL).
