O ex-governador da Bahia e atual pré-candidato ao Senado, Rui Costa (PT), subiu o tom contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) neste domingo (19). Durante o Programa de Governo Participativo (PGP) do Extremo Sul, em Teixeira de Freitas.
O ex-ministro da Casa Civil, relembrou o que chamou de “tragédias” de sua gestão no Executivo estadual e atribuiu à condução federal o agravamento da pandemia de Covid-19, além do isolamento sofrido pelo estado em momentos de crise climática.
Ao discursar, Rui usou uma metáfora popular para classificar a atual conjuntura política da liderança estadual: “Eu tenho dito que Jerônimo nasceu com o bumbum voltado para a lua. Está governando ao lado do presidente Lula.”
O afago ao atual governador abriu espaço para um balanço pessoal e severamente crítico de seus próprios anos de mandato. De acordo com o ex-ministro, sua administração precisou superar três grandes reveses institucionais e humanitários.
As “Três Tragédias” de Rui Costa
Ao elencar os momentos mais dramáticos de sua passagem pelo governo baiano, Costa intercalou crises políticas com desastres de saúde pública e ambientais:
A primeira tragédia: A destituição da ex-presidente Dilma Rousseff (PT). Segundo ele, a entrada do governo sucessor marcou o início de uma gestão “que não gostava da Bahia”.
A segunda tragédia: A eleição de Jair Bolsonaro. O petista direcionou duras acusações ao ex-mandatário pela gestão da crise sanitária, afirmando que Bolsonaro “não gostava da Bahia, não gostava dos brasileiros e tornou o Brasil um dos países do mundo com o maior número de mortes na Covid”.
A terceira tragédia: As fortes enchentes que assolaram o Extremo Sul baiano no final de 2021.
Ao recordar as inundações, Rui Costa criticou o que chamou de ausência de socorro federal, afirmando que “não contou com o presidente da República”, a quem acusou de ter ido à região apenas para “fazer motociata”. Em contrapartida, o ex-governador exaltou a atuação de prefeitos locais, citando nominalmente o prefeito de Caravelas, Silvio Ramalho — conhecido como “Ailton Manrick” —, que, segundo ele, “virou noites adentro” para garantir que a ajuda chegasse às localidades que ficaram isoladas e sem acessos viários.
Retórica de Comparação e Alinhamento com Lula
O discurso em Teixeira de Freitas sinaliza a linha que o PT deve adotar na corrida de olho no Senado. Rui expressou sua gratidão a Lula por ter ocupado a chefia da Casa Civil e destacou que tem a “obrigação” de relatar como o governo encontrou o país em janeiro de 2023.
A estratégia delineada pelo ex-governador aos militantes presentes foca no resgate do sentimento de comparação direta entre as administrações do PT e o período bolsonarista.
“É assim que se governa, estendendo a mão”, concluiu Costa, instando o eleitorado a debater nas ruas sobre qual modelo de país deseja ver consolidado nos próximos anos.