Ministro da Casa Civil criticou o sigilo de consultorias do ex-prefeito e explicou como aberturas de empresas logo após mandatos podem mascarar acertos ilícitos.
O ministro da Casa Civil e ex-governador da Bahia, Rui Costa (PT), subiu o tom contra o ex-prefeito de Salvador, ACM Neto (União Brasil), ao comentar as recentes suspeitas envolvendo a relação do opositor com o Banco Master. Durante a entrevista concedida nesta terça-feira (7) à Rádio Baiana FM, o petista rebateu a justificativa de Neto de que os R$ 5 milhões recebidos da instituição seriam fruto de consultorias prestadas em um período em que ele estava sem mandato político.
Para Rui Costa, o argumento utilizado pelo ex-prefeito carece de validade moral e ética. “Esse não pode ser um argumento para alguém apresentar como um grande argumento: ‘Ó, eu não tô no exercício do cargo público’. Porque se fosse assim ficava fácil, né? Alguém é governador, é prefeito, faz o que tem que fazer, diz ‘você acerta comigo depois que eu sair do cargo'”, ironizou o ministro, ilustrando como esquemas de corrupção podem ser mascarados. “Aí depois que eu saio do cargo… ‘não, eu não tô mais no cargo público, eu posso montar uma empresa de consultoria e dois dias depois receber 5 milhões'”, completou.
A troca de farpas esquentou quando os entrevistadores lembraram que ACM Neto admitiu prestar serviços a outros clientes, mas se negou a revelar os nomes alegando confidencialidade contratual. Rui Costa rechaçou a possibilidade de um político que pleiteia cargos majoritários se esconder atrás de sigilo empresarial para não prestar contas à sociedade.
“A pessoa que é candidata a governador, ou seja, tá pretendendo ter um cargo público, não pode divulgar as consultorias que fez? (…) O sigilo pode tá no mérito da minha consultoria, no conteúdo. Agora, se eu fiz ou não um contrato, isso não pode ser sigiloso pra quem quer cargo público”, explicou o ex-governador.
No encerramento do tema, o ministro foi direto e lançou suspeitas sobre a própria existência legal da empresa de ACM Neto. “Se você pleiteia cargo público, me desculpe, você tem que dar satisfação. Esse argumento de que não pode nem divulgar pra quem prestou ou não serviço, tá me parecendo até então, a não ser que prove o contrário, que a empresa foi aberta pra dois dias depois receber o dinheiro do Banco Master”, disparou Rui Costa, defendendo o avanço das apurações do caso.