Reeleito deputado estadual pelo PT, Rosemberg Pinto avaliou que o partido precisa rever a forma como se comunica com a sociedade e superar a lógica de confronto permanente entre esquerda e direita. Para o parlamentar, a dificuldade de dialogar com diferentes setores da população contribuiu para o fortalecimento do bolsonarismo.
Em entrevista, Rosemberg retomou uma crítica que, segundo ele, já fazia há alguns anos: a de que a esquerda permaneceu presa a uma comunicação “analógica” enquanto a sociedade avançava para um ambiente cada vez mais digital.
O deputado, porém, afirmou que o problema vai além da comunicação e envolve a própria forma como o debate político passou a ser apresentado ao eleitor.
“Não dá para dividir entre o bem e o mal, direita e esquerda, 8 ou 80. Isso foi do século passado”, afirmou.
Na avaliação de Rosemberg, o PT deixou de enfrentar de maneira estratégica a polarização política e permitiu que o bolsonarismo ocupasse esse espaço com um discurso baseado nessa divisão.
“Acabou que a gente deixou ficar nessa dicotomia e incorporou, ainda, esse grupo que se intitula bolsonarista e se fortalece numa tese que nós não desconstruímos”, declarou.
Rosemberg cita desafio para próximo governo Lula
O deputado afirmou que a superação dessa lógica deve ser um dos desafios do próximo governo de Lula (PT), caso o presidente seja reeleito. Rosemberg lembrou que o próprio petista já havia defendido, anteriormente, a necessidade de romper com a divisão entre esquerda e direita.
Segundo ele, entretanto, aquela discussão não teria sido transformada em uma estratégia política permanente.
Para Rosemberg, o caminho passa pela construção de um diálogo mais amplo com diferentes posições políticas, sem abandonar o respeito às divergências.
“Esse é um grande desafio do próximo governo do presidente Lula: desmontar essa tese do bem e do mal e a gente encontrar um caminho que possa chegar ao outro lado de forma mais unificada”, afirmou.
O deputado defendeu ainda a construção de uma espécie de “ponte única” entre diferentes setores políticos e sociais.
“Uma única ponte onde caiba todas as posições políticas, com respeito, com o entendimento de que o mundo é para todo mundo, não é só para um lado ou para outro”, concluiu.