Em evento da Associação Comercial da Bahia, líder empresarial defende diálogo institucional, exige atualização dos limites do Simples Nacional e do MEI e aponta prejuízos causados pela agressividade no debate público nacional.
A postura das entidades representativas do setor produtivo deve combinar serenidade institucional, firmeza na cobrança de medidas económicas e disposição permanente para o diálogo. A avaliação foi feita pela empresária e advogada Isabela Suarez, presidente da Associação Comercial da Bahia (ACB) e da Fundação Baía Viva, ao analisar o atual cenário político e económico do país durante encontro com a imprensa em Salvador.
A declaração ocorreu na manhã desta quinta-feira (8), no The Latvian Business & Lounge, na Bahia Marina, durante o café da manhã de lançamento do Prémio ACB Melhores do Ano 2026. Na ocasião, a dirigente enfatizou que a classe empresarial compreende a soberania das urnas, mas mantém o papel vigilante e crítico diante das ações governamentais.
“A voz das entidades empresariais cabe sempre analisar os movimentos, né? Respeitar a decisão da maioria e nos colocarmos à disposição. O que não significa que a classe empresarial não tenha críticas à atual gestão. E, eventualmente, se os resultados forem diferentes, a gente também precisa analisar e aguardar quais são os movimentos”, ponderou Isabela Suarez. A líder ressaltou que, do lado das instituições do setor privado, a prioridade permanece sendo a cooperação com o poder público: “A gente sempre está à disposição para construir um estado melhor, para construir um país melhor, o que não significa que a gente não aponte o que precisa ser melhorado”.
Entre as principais reivindicações do empresariado baiano e brasileiro, Isabela destacou a urgência de atualizar as faixas de tributação dos pequenos negócios em tramitação no Congresso Nacional. A presidente da ACB defendeu tratamento isonómico em relação aos reajustes concedidos aos programas sociais, chamando a atenção para a relevância das micro e pequenas empresas na sustentação do mercado de trabalho formal no Brasil.
“A gente tem travado uma batalha dentro do Congresso para aumentar o teto do MEI e o teto do Simples Nacional, na medida em que a gente assiste reajuste pela inflação de programas sociais — o que é superimportante —, mas o que o micro e pequeno empresário quer é que essa isonomia também seja aplicada para essa classe que é fundamental, porque é responsável por 80% dos empregos formais do nosso país”, sustentou.
Ao diagnosticar o ambiente institucional do país, a presidente da ACB lamentou o nível de animosidade que tomou conta da política partidária e apelou para a superação de radicalismos vazios, alertando que a substituição de projetos por ofensas penaliza o conjunto da sociedade brasileira.
“A gente quer muito, sinceramente, que o Brasil um dia saia do campo da polarização. Por mais que a divisão sempre exista, o que a gente sente hoje é que existe uma guerra de narrativa e não uma guerra de propostas. Então é quem grita mais, é quem ofende mais, é quem radicaliza mais. E o brasileiro precisa, de uma vez por todas, entender que com isso todo mundo sai perdendo”, concluiu.