Ex-secretária de Saúde de Salvador defendeu hospitais municipais construídos pelo grupo e cobrou descentralização para acabar com a “fila da morte”.
Em contundente resposta aos ataques de lideranças governistas estaduais sobre a rede municipal de urgência e emergência de Salvador, a vice-prefeita e ex-secretária de Saúde da capital, Ana Paula Matos (PDT), usou uma analogia pedagógica para apontar falhas na gestão hospitalar do Governo da Bahia. Ana Paula rejeitou a transferência de responsabilidades e sustentou que a capital tem sobrecarregado seus leitos para suprir a ausência de atendimento de alta complexidade nas cidades do interior.
“Eu sou professora: quando um aluno tem dificuldade, você cuida dele; quando nenhum aluno aprende e você diz que ninguém sabe nada, a responsabilidade é do professor. O Governo do Estado diz que todas as cidades e prefeitos não cuidam da saúde: de quem é o problema de fato? Esse grupo que nos critica governou a capital, teve a Secretaria de Saúde e nunca construiu um hospital sequer. Foi preciso ACM Neto chegar para construir o primeiro Hospital Municipal da história de Salvador, e depois com Bruno nós construímos mais três, incluindo o hospital veterinário e a primeira maternidade”, disparou a gestora.
Ana Paula revelou dados operacionais da Maternidade Municipal de Salvador para comprovar o impacto da demanda regional. “O Estado tem 30 leitos de alta complexidade obstétrica e dez estão conosco. Cerca de 75% das mães e bebês internados nas nossas UTIs são transferidos do interior da Bahia. Deixamos esses leitos abertos para os nossos irmãos do interior que não têm UTI na sua região. Salvador gasta quase 20% da sua receita em saúde, acima dos 15% constitucionais. Quando uma UPA nossa lota, é porque chegaram ambulâncias de outros municípios. O Estado precisa regionalizar a saúde com dignidade e acabar de vez com a humilhação da fila da regulação”, arrematou.